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André Previn, compositor de 'Gigi' e 'My Fair Lady', morre aos 89 anos

Sua carreira foi notabilizada pela fusão entre o jazz, o pop e a música clássica

O pianista André Previn no Lincoln Center, em Nova York, em 2013
O pianista André Previn no Lincoln Center, em Nova York, em 2013 - Stephen Lovekin /AFP
São Paulo

O músico André Previn, compositor de trilhas sonoras de filmes como "Gigi" e "My Fair Lady" e vencedor de quatro estatuetas no Oscar, morreu nesta quinta (28), em Nova York, segundo informou sua agente ao jornal The New York Times. Americano nascido em Berlim, ele tinha 89 anos e não teve a causa da morte divulgada. 

Além da composição de trilhas cinematográficas, ele também regeu orquestras como a Sinfônica de Londres e a Filarmônica de Los Angeles. Em 2012,  chegou a se apresentar com a Orquestra Sinfônica Brasileira. Também tocou com Ella Fitzgerald, compôs música de câmara e duas óperas. 

Sua carreira ficou conhecida pela fusão entre o jazz, o pop e a música clássica, lembra a publicação nova-iorquina.

Aos 6 anos de idade, já mostrando talento para a música, foi matriculado pelo pai no Conservatório de Berlim, mas foi expulso em seguida por ser judeu (a Alemanha vivia sob o nazismo na época). A família se mudou para Los Angeles em 1939, depois de uma passagem por Paris.

Sob influência do pianista Art Tatum, Previn começou a dominar o jazz aos 12 anos de idade, já quando morava nos Estados Unidos. Outro de seus ídolos era Leonard Bernstein.

Aos 16, ainda no colegial, foi convidado a participar da parte musical de "Romance no México" (1946), o que acabou se tornando sua porta de entrada na indústria do cinema. 

Trabalhando para os estúdios da MGM nos anos 1940, ele tocou piano e fez sincronização de trilhas sonoras. Em 1949, assumiu pela primeira vez a direção musical de uma obra, no caso, do filme "Sol da Manhã", uma aventura da cachorra Lassie. 

No começo dos anos 1950, adaptou sucessos do teatro musical para o cinema. Vêm dessa época suas primeiras indicações ao Oscar, por "Três Palavrinhas", com Fred Astaire, e "Dá-me um Beijo", com Kathryn Grayson e Howard Keel. 

Sua primeira estatueta veio com "Gigi", em 1958. O musical com Leslie Caron, Maurice Chevalier e Louis Jourdan. A próxima estatueta foi conquistada no ano seguinte com "Porgy & Bess". No começo dos anos 1960, faturou os próximos dois prêmios, por "Irma La Douce" e "My Fair Lady". 

Em paralelo à composição cinematográfica, gravou álbuns de música clássica, fazendo acompanhamento em piano para peças de Mozart e compondo canções para Judy Garland e Doris Day. Trabalhou ainda em peças da Broadway, como "Coco", em 1969. Um ano antes, já havia se estabelecido na Sinfônica de Londres. 

O músico continuou compondo trilhas de sucesso ao longo das décadas seguintes até encerrar a carreira no cinema, nos anos 1980, com "Lutando com o Passado" e "Seis Semanas". 

​Previn foi casado cinco vezes, inclusive com a atriz Mia Farrow. Foi durante esse casamento que ambos adotaram Soon-Yi Previn, que mais tarde se casaria com Woody Allen, então marido de Farrow, no que se tornaria o estopim da briga entre esses dois e que envolveria até acusações de abuso sexual movidas contra o cineasta. 

Ele deixa nove filhos, entre adotados e biológicos.

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