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Cinema

'As Ineses' é prova de que Argentina nem sempre produz filme bom

Longa acumula deficiências identificadas, em geral, com a teledramaturgia mais rasteira

Naief Haddad

As Ineses

  • Classificação 10 anos
  • Elenco Brenda Gandini, Luciano Cáceres, Maria Leal, André Ramiro e Valentina Bassi
  • Produção Argentina, 2019
  • Direção Pablo José Meza

Estamos acostumados a um cinema argentino de nível alto. Mas, em meio a tantos bons filmes do país vizinho que aportam por aqui, também chegam uma ou outra bobagem. É o caso da comédia dramática “As Ineses”.

O filme parte de uma situação de folhetim. Em 1985, em uma cidade do interior da Argentina, as amigas e vizinhas Carmen (Brenda Gandini) e Rosa (Valentina Bassi) dão à luz no mesmo dia e no mesmo hospital.

Carmen e o marido Pedro (Luciano Cáceres) têm cabelo e pele claros, mas recebem uma bebê que, à primeira vista, não se parece com os pais. Morena, Rosa é casada com um homem negro, Rámon (o ator brasileiro André Ramiro, de “Tropa de Elite”). A enfermeira, no entanto, leva a eles uma filha loira.

Em uma época sem teste de DNA, a confusão está armada e tudo se deve, aparentemente, ao médico responsável pelas cesáreas. O doutor Roca andava bebendo além da conta. Na dúvida sobre quem é filha de quem, as mães decidem batizar as filhas com o mesmo nome, Inês.

Como se vê, a premissa não é especialmente inspirada, o que, por si só, não implica um caso perdido. O filme poderia usar o clichê a seu favor, questionando os estereótipos de forma bem-humorada. Não é, porém, o que acontece. 

O diretor Pablo José Meza (“Buenos Aires 100 km”) lida com personagens excessivamente marcados, sem ambivalências. Há o marido machão de pavio curto, a sogra falante e intrometida, o padre mulherengo. Os diálogos mal escritos soam ainda piores quando interpretados por atores limitados, como Cáceres.

Assim, “As Ineses” acumula deficiências identificadas, em geral, com a teledramaturgia mais rasteira.

Além disso, o filme dá saltos no tempo ao longo das décadas de 1980 e 1990, mas falta um propósito claro para algumas dessas transições. No mais, o diretor oferece apenas um esboço de contexto temporal, um recurso que poderia enriquecer “As Ineses”.

Quer ver uma produção argentina no cinema? Melhor esperar, filmes melhores virão.

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