Leilão de quadros de Hitler fracassa na Alemanha

Após polêmica na cidade de Nuremberg, nenhum comprador quis as aquarelas do ditador nazista

Thierry Tranchant
Nuremberg (Alemanha)

O leilão com cinco telas atribuídas a Adolf Hitler,  realizado neste sábado (9) na Alemanha, fracassou —ninguém se interessou em adquirir os quadros. 

A casa de leilões Weidler não esclareceu as razões para o fracasso do leilão, embora os altos valores solicitados e dúvidas sobre a autenticidade das telas certamente tenham influenciado. 

No entanto, a casa de leilões conseguiu vender dois objetos que supostamente pertenciam a Hitler: um jarro de porcelana de Meissen, por € 5.500, e uma toalha de mesa pelo preço mínimo de € 630. 

Entre os objetos, uma cadeira de vime com uma suástica, que tinha um preço inicial de € 6.500, não despertou interesse. 

As cinco telas —que tinham preços iniciais entre €  19 mil e €  45 mil e ficaram sem  comprador — mostram paisagens bucólicas. O leilão foi cercado por uma controvérsia acalorada.

Ulrich May, prefeito de Nuremberg, antigo bastião do Reich e cidade onde o leilão foi realizado, denunciou, em entrevista ao "Süddeutsche Zeitung", a iniciativa de "mau gosto".

Na quarta-feira, o catálogo do leilão incluía outros 26 quadros. Essas telas tiveram de ser retiradas da venda, depois que a Justiça alemã as confiscou, junto a outras 37 obras assinadas "A. H.", ou "A. Hitler", por dúvidas sobre sua autenticidade.

As pinturas pertencem a 23 proprietários diferentes, segundo a casa de leilões, que nega qualquer irregularidade e diz cooperar com a polícia e com a Justiça.

"Estamos investigando na Procuradoria de Nuremberg sobre suspeitas de falsificação e tentativa de fraude", afirmou a procuradora-geral Antje Gabriels-Gorsolke.

Algumas obras são acompanhadas de certificados de autenticidade, mas estes também podem ter sido falsificados.

A casa Weidler destacou que o fato de estarem investigando as 63 obras "não significa automaticamente que sejam falsas".

Os leilões de obras artísticas de Hitler costumam criar polêmica na Alemanha, já que o país que fez da penitência pelo nazismo uma parte central de sua identidade.

As vendas buscam satisfazer a demanda de colecionadores, em geral estrangeiros, dispostos a desembolsar vultosas quantias para ter um artefato do ditador, ou de outras figuras-chave do regime que exterminou seis milhões de judeus durante a Segunda Guerra Mundial.

A casa Weidler já vendeu telas atribuídas a Hitler, incluindo um par de aquarelas por € 32.000 (US$ 36.000) em 2009.

Os especialistas consideram que os quadros de Hitler são difíceis de autenticar, seja porque não há um catálogo preciso, seja por sua baixa qualidade. E o estudo grafológico da assinatura é considerado uma prova insuficiente.

"Há, porém, uma longa tradição para este comércio de devoção ao nazismo", explicou à AFP Stephan Klingen, do Instituto Central de História da Arte de Munique.

"Toda a vez [...] tem um barulho na mídia [...] e os preços sobem continuamente", afirmou. "É o que me incomoda", completou Klingen.

AFP

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