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Televisão

Série sobre serial killer americano Ted Bundy é aterrorizante e hipnótica

Na grade da Netflix, atração é ótima para quem sabe distinguir o nome entre os bandidos célebres

Imagem exibida no documentário "Conversando com um Seria Killer: Ted Bundy”
Imagem exibida no documentário "Conversando com um Seria Killer: Ted Bundy” - Divulgação
Teté Ribeiro

Conversando com um Serial Killer: Ted Bundy

  • Onde Disponível na Netflix
  • Classificação 14 anos
  • Produção EUA, 2019
  • Direção Joe Berlinger

Disponível na Netflix, a minissérie documental “Conversando com um Serial Killer: Ted Bundy”, em quatro capítulos de mais ou menos uma hora cada um, é ótima para quem já sabe distinguir esse nome no meio de tantos bandidos tornados célebres nos últimos tempos. 

Para quem nunca ouviu falar dele, talvez seja melhor esperar pelo longa feito pelo mesmo diretor, Joe Berlinger, com o mesmo personagem, mas interpretado por Zac Efron, com o título original “Extremely Wicked, Shockingly Evil and Vile” (extremamente malvado, chocantemente cruel e vil).

Ainda sem data de estreia prevista no Brasil, o filme foi exibido no Festival Sundance deste ano e conta a história do ponto de vista de sua namorada de muito tempo, Elizabeth Kloeper (Lily Collins). A escolha do galã para o papel principal gerou críticas de que o diretor queria glamorizar a imagem do psicopata.

Mas não é o caso, pois Ted Bundy tinha mesmo seu charme. Quando a série foi ao ar nos Estados Unidos, uma onda de postagens nas redes sociais comentavam a beleza dele, a ponto de a Netflix soltar um apelo para que as pessoas parassem de falar sobre isso. O canal sob demanda também avisou aos espectadores para não assistir à série sozinhos, de tão terrível e explícita.

Não é tanto assim. As cenas dos crimes não têm registro. E se o documentário peca em algum ponto é justamente por cortar demais os depoimentos do criminoso com entrevistas atuais com os jornalistas com quem ele conversou.

Ted Bundy foi um dos assassinos de mulheres mais temido dos Estados Unidos, acusado por mais de 30 crimes e com suspeitas de que o número seja bem maior. Suas vítimas eram universitárias, quase todas de cabelos castanhos lisos e entre 19 e 26 anos. Ele estuprava algumas delas vivas e outras mortas.

Sua história tem partes inacreditáveis, com crimes em vários estados, fuga da prisão e, o mais inesperado, ele como parte do time de advogados que o defendiam no julgamento. Bundy se dirige com naturalidade ao juiz e aos jurados, em monólogos em que aproveitava para reclamar das condições em que estava sendo tratado na prisão. 

E faz perguntas para as testemunhas, insiste que descrevam com detalhes as cenas dos crimes e até pede uma em casamento. Ela aceita e tem um filho com ele.

Seu julgamento foi o primeiro a ser exibido ao vivo pela TV nos EUA. E foi por causa dele que o termo “serial killer” foi criado. Quase todo mundo envolvido na vida de Bundy fala, como uma sobrevivente de um ataque, um amigo da igreja e policiais que encontraram algumas das vítimas. Há corpos que não foram achados até hoje.

Mas as entrevistas dele ao jornalista Stephen Michaud —as mais de cem horas de gravação a que o título da série se refere— custam a entrar nos detalhes sórdidos que o telespectador é instigado a esperar. E entram pela tangente. Bundy nunca confessa seus crimes, mas em um momento começa a descrever como teriam sido os assassinatos e o que estaria se passando na cabeça do criminoso na terceira pessoa, como se tivesse falando de outro sujeito.

A conclusão da história é conhecida de uns, e pode ser facilmente adivinhado por quem não sabe quem ele é, afinal as conversas acontecem no corredor da morte. Mesmo assim, mesmo notando que o diretor estica ao máximo o material que tem, com a certeza de que a história poderia ser contada em bem menos tempo, é impossível não ver até o final.

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