Descrição de chapéu Crítica

Com conflitos e verdade, série sobre maternidade faz mães se reconhecerem

Produção canadense 'Workin Moms' não glamoriza a experiência

duas mulheres num bar
Cena da série Workin Moms, da Netflix - Divulgação
Teté Ribeiro

Workin’ Moms

  • Onde Netflix
  • Elenco Catherine Reitman, Dani Kind, Juno Rinaldi
  • Produção Canadá, 2017
  • Criadora Catherine Reitman

A cena inicial do primeiro episódio de "Workin' Moms" (mães trabalhadoras) já mostra que essa série não vai glamorizar a maternidade.

Três mães recentes estão sem camisa, sentadas em círculo numa roda de mulheres, discutindo o estado de seus seios depois da amamentação, e nenhuma delas está satisfeita com o que vê. As atrizes mostram mesmo os peitos, coisa rara em Hollywood, e eles realmente são todos meio caídos, flácidos.

Talvez por ser uma produção canadense, os seios fiquem mais à vontade —a encanação parece ser mais americana. No Canadá, aliás, a primeira temporada estreou em 2017 e o seriado já tem mais duas prontas —a segunda exibida em 2018, a terceira passando agora, no canal CBC.

A Netflix disponibilizou só a primeira leva de capítulos por enquanto, mas já prometeu a próxima para o fim deste semestre.

Criada pela atriz e roteirista Catherine Reitman, filha do diretor Ivan Reitman (de "Os Caça-Fantasmas") e irmã de Jason Reitman ("Obrigado por Fumar", "Juno"), "Workin' Moms" deve repercutir entre as telespectadoras em situação parecida ou entre as que já passaram pela experiência de voltar ao trabalho depois de ter um bebê e estão prontas para rir desse cenário.

A série é centrada em três mulheres, todas de classe média alta. Kate (Catherine Reitman) é uma publicitária workaholic aflita com a ideia de retomar o seu lugar numa empresa supercompetitiva; Frankie (Juno Rinaldi) é uma lésbica corretora de imóveis com depressão pós-parto e Anne (Dani Kind), uma psicanalista neurótica, que se descobre grávida pela terceira vez.

A graça não está só no problemático equilíbrio entre trabalho e família, apesar de explorar bem esse assunto. As cenas mais cômicas e originais são as mais trágicas, como uma em que Frankie enfia a cabeça na piscina de uma casa que mostra para possíveis compradores, na tentativa de se matar. Ou outra em que Kate corre num parque ao mesmo tempo em que empurra o carrinho com seu filho e dá de cara com um urso.

Os homens ficam em segundo plano, e isso empobrece um pouco a trama. Todos são bonzinhos demais, compreensivos demais e divertidos de menos. Os empregos das moças, todas na faixa dos 30 e poucos anos, também são um pouco caricatos. Kate tem um novo colega que quer o lugar dela, Frankie só bota defeitos nos imóveis, Anne trata seus pacientes como adolescentes rebeldes.

Mas tem verdade nos conflitos das novas mães. Se você está em dúvida entre ter ou não o primeiro filho, a série não é recomendada. Se essa hipótese não passa nem perto das suas prioridades, talvez pareça um show de horror.

Mas quem tem filhos, trabalha e está cansada de ver essa situação cheia de obstáculos tratada como comédia ligeira pode ir fundo. Talvez seja tudo tão verdade que fique até um pouco demais —mas você vai se reconhecer, com certeza.

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