Dupla que acusa Michael Jackson em filme dá detalhes de abusos em entrevista

Cantor, morto em 2009, está no centro de debate causado pelo documentário 'Leaving Neverland'

Michael Jackson se apresenta em Singapura, em 1993
Michael Jackson se apresenta em Singapura, em 1993 - AFP
São Paulo

​A rede americana de televisão CBS exibiu, nesta quinta (28), uma entrevista exclusiva com James Safechuck e Wade Robson, que acusam o músico Michael Jackson, morto em 2009, de ter abusado sexualmente deles quando eram crianças.

Hoje na faixa dos 30 anos, os dois estão no documentário "Leaving Neverland", de Dan Reed, que elenca denúncias de abuso contra o artista e joga luz principalmente sobre a relação dele com as duas supostas vítimas, que afirmam que foram molestadas quando tinham sete e dez anos de idade.

Na conversa com a jornalista Gayle King, Safechuck e Robson relataram detalhes das temporadas que passaram no rancho Neverland, onde Michael Jackson teria cometido os abusos.

"Em nossa primeira noite no rancho, Michael disse para mim e para a minha irmã que podíamos ficar em um dos quartos de hóspedes ou comigo, se quiserem", relata Robson. "Minha reação foi 'claro que eu quero ficar com você'."

No dia seguinte sua família iria para uma viagem. Mas Robson preferiu ficar com o astro do pop, sozinho. "Então ele começou a mudar. Michael começou a tocar minhas pernas e tocar minha genitália por cima das roupas. Isso progrediu para ele fazendo sexo oral em mim e me mostrando como fazer sexo oral nele."

​De acordo com ele, o cantor então dizia que aquela era a maneira como eles demonstravam o amor que sentiam um pelo outro.

As acusações feitas por Safechuck são similares. "Ele me ensinou como me masturbar e dizia que eu tinha mostrado a ele como beijar de língua. Isso progrediu para sexo oral", diz.

"Não há nenhum alarme soando na sua cabeça ou qualquer pensamento como esse", explica ao ser questionado se estava ciente sobre o comportamento de Michael Jackson ser inapropriado. ​"Eu amava aquela pessoa."

Ambos ainda relatam que o artista fazia com que os abusos parecessem naturais, porque não era violento quando os induzia aos atos sexuais. "Ele nunca me bateu, ele nunca disse coisas ruins para mim", diz Robson.

Em 1993 e 2004, Safechuck e Robson negaram que Michael Jackson os havia molestado, quando acusações vindas de outras vítimas, Jordan Chandler e Gavin Arvizo, surgiram. O primeiro caso foi resolvido fora dos tribunais, enquanto no segundo o artista foi considerado inocente.

"Michael me treinou para testemunhar a favor dele desde a primeira noite em que começaram os abusos", explica Robson. "Ele dizia que se alguém descobrisse nós dois iríamos para a cadeia, que nossas vidas estariam arruinadas."

Ele diz que se sente culpado por ter testemunhado a favor de Michael Jackson em casos anteriores e que gostaria de ter feito algo para ajudar outras vítimas.

Exibido no Festival Sundance, "Leaving Neverland" gerou reações negativas entre os espólios do músico, que dizem que o documentário é "mais uma produção ultrajante e patética que tenta explorar e lucrar com Michael Jackson".

Sem data de estreia no Brasil, o longa foi comprado pela HBO e pela britânica Channel 4.

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