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Livro de Neil Gaiman e Terry Pratchett vira série lançada em maio

Na superprodução 'Good Omens', Frances McDormand faz a voz de Deus, enquanto Benedict Cumberbatch é Satã

Tony Goes
Liverpool

“Terry Pratchett achava que a única maneira fiel de transpor essa história para a tela era filmar alguém sentado em uma poltrona, lendo o livro em voz alta”, diz Rob Wilkins, que foi assistente do escritor e agora é um dos produtores da minissérie cômica “Good Omens”.

Esse temor acabou não se confirmando. Baseado no romance satírico que Pratchett escreveu em parceria com Neil Gaiman (publicado no Brasil como “Belas Maldições”), o programa é uma superprodução caprichada. A estreia mundial está prevista para 31 de maio na Prime Video, a plataforma de streaming da Amazon.

Lançado originalmente em 1990, o romance é o primeiro de Gaiman, que, em 1989 havia lançado o primeiro da série de quadrinhos que o consagraria, “Sandman”. Em 2001, lançou “American Gods” (que depois também se tornou uma série da Prime Video). 

Pratchett, por sua vez, já havia publicado, até 1989, 8 dos 41 livros da série de fantasia “Discworld”, que fez dele, nos anos 1990, o escritor inglês mais vendido, posto roubado por J. K. Rowling, de “Harry Potter”.

Michael Sheen e David Tennant em cena da série 'Good Omens'
Michael Sheen e David Tennant em cena da série 'Good Omens' - Reprodução

Houve interesse imediato em transformar “Good Omens” em filme, e o diretor, e membro do Monty Python, Terry Gilliam, passou anos tentando colocar o projeto em pé. Johnny Depp e Robin Williams chegaram a ser anunciados para os papéis principais. Inúmeros roteiristas submeteram seus tratamentos, todos em vão. 

No final da vida, Pratchett, que morreu em 2015, pediu que o próprio Neil Gaiman roteirizasse a minissérie, que já estava sendo negociada com a Amazon e a BBC Studios.

“Good Omens” tem seis episódios e um elenco de primeira linha. Michael Sheen (“Frost/Nixon” e “Masters of Sex”) e David Tennant (da série “Broadchurch”) interpretam, respectivamente, o anjo Aziraphale e o demônio Crowley. 

Apesar das diferenças, os personagens são amigos há milhares de anos —desde que Crowley, sob a forma de serpente, seduziu Eva no Jardim do Éden com o fruto proibido.

Quando a série começa, os dois levam vidas confortáveis na Inglaterra dos dias de hoje. Nenhum deles quer que o mundo acabe. 

Por isso, decidem ficar de olho em um bebê que está para nascer, filho de um diplomata americano: de acordo com as profecias de uma bruxa do século 17, essa criança será o Anticristo, que irá provocar a batalha de Armagedom e, na sequência, o provocar o apocalipse.

Nomes ainda mais famosos do que a dupla principal foram escalados para os papéis secundários. Jon Hamm (“Mad Men”) é o arcanjo Gabriel, que não aparece no livro. Benedict Cumberbatch (“Sherlock Holmes”) encarna Satã, enquanto Frances McDormand (ganhadora do Oscar por “Três Anúncios para um Crime”) faz a voz de Deus.

Para completar, a trilha sonora é recheada de sucessos da banda mais quente do momento: o Queen, que teve sua popularidade ressuscitada recentemente pelo filme “Bohemian Rhapsody”. Mas não se trata de oportunismo: as letras do grupo já eram citadas no romance.

“Good Omens” foi uma das principais atrações do BBC Showcase, o grande evento anual em que a rede de TV britânica apresenta suas novidades, realizado neste ano em Liverpool, na Inglaterra.

“Minha única dificuldade ao escrever o roteiro foi não poder ligar para Terry Pratchett quando eu ficava na dúvida”, conta Neil Gaiman, responsável pelo roteiro. “Mas acho que ele ficaria feliz com o resultado.”

Com efeitos especiais espetaculares, muitas piadas nos diálogos e alguma provocação religiosa, “Good Omens” chega embalada por altas expectativas. Mas os produtores garantem: qualquer que seja a recepção da série, não haverá uma segunda temporada. “Meu próximo plano é ir à praia”, ri Wilkins.

O jornalista viajou a Liverpool a convite da BBC Studios

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