Descrição de chapéu Crítica Cinema

Novo filme argentino com Darín tira riso das decepções amorosas

Ator aprimora a capacidade de transitar entre momentos de densidade e passagens leves

Naief Haddad

Um Amor Inesperado

  • Classificação Não divulgada
  • Elenco Ricardo Darín, Mercedes Morán, Luis Rubio, Cláudia Fontan
  • Produção Argentina, 2018
  • Direção Juan Vera
  • Estreia nesta quinta (14)

Ricardo Darín logo estará em cartaz nos cinemas com dois filmes. Em “Todos Já Sabem”, uma co-produção de Espanha, França e Itália dirigida pelo iraniano Asghar Farhadi, ele vive o marido da personagem de Penélope Cruz. Aparece como um sujeito acabrunhado, sob o efeito de uma série de questões mal resolvidas. 

Não é uma interpretação ruim, mas ele não demonstra estar à vontade no papel. Sai prejudicado pelo desenho precário do personagem, deficiência principalmente do roteiro. 

Já no filme argentino “Um Amor Inesperado”, temos Darín no campo em que, de fato, se sai bem, as produções em que os diálogos afiados privilegiam algum grau de humor. 

As parcerias com o diretor Juan José Campanella são uma boa amostragem do domínio que o ator tem desse território. Com Campanella, participou de filmes de inclinação mais dramática, como “O 
Segredo dos seus Olhos” (2009), que souberam cultivar uma graça refinada. E também esteve em longas que equilibram a comédia e o romance, como “O Mesmo Amor, a Mesma Chuva” (1999).

O novo “Um Amor Inesperado”, sob a direção de Juan Vera, integra a linhagem desse último. Os personagens sabem rir das decepções amorosas e das particularidades da vida sexual sob a influência das redes sociais. Também extraem humor da inconstância da vida política e econômica da Argentina.

Lado a lado no sofá, poucos anos depois de se separarem, Marcos (Darín) e Ana (Mercedes Morán) falam sobre a nova mulher dele. “Vocês estão bem?”, pergunta Ana. Sem demonstrar segurança, Marcos responde: “Estáveis”. “Como o dólar”, ela comenta.

Aos 62 anos, Darín aprimora a capacidade de transitar entre momentos de densidade dramática e passagens leves, quase despretensiosas. 

Como “Um Amor Inesperado” se concentra em um casal, o brilho solo de Darín deixaria o filme capenga. A forte presença de Morán é, portanto, indispensável. 

Conhecida do público brasileiro por produções como “Diários de Motocicleta” (2004) e “A Menina Santa” (também daquele ano), ela exibe carisma equivalente ao de Darín. 

Os desencontros dos personagens ganham sentido graças especialmente ao encontro desses dois atores. 

Tópicos relacionados

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.