SXSW mostra importância do fator humano para a revolução digital

Qualidade do relacionamento entre pessoas no trabalho é essencial para empresas

Bandi Namco Studios Gamer AI em exibição no Austin Convention Center do SXSW
Bandi Namco Studios Gamer AI em exibição no Austin Convention Center do SXSW - Sergio Flores /Reuters
Marcelo Tripoli

Habilidades altamente humanas nunca foram tão indispensáveis.

Em uma era marcada por máquinas capazes de aprender sozinhas, o maior festival de criatividade do mundo, o SXSW (South by Southwest), realizado no Texas, traz para o centro da conversa a importância do fator humano para a transformação digital.

Pode soar estranho, mas a qualidade do relacionamento entre as pessoas no mundo corporativo e no trabalho é fundamental para o sucesso das empresas. 

A capacidade de exercer empatia (algo que, definitivamente, não pode ser oferecido pelas máquinas), analisar criticamente, liderar e colaborar têm se mostrado o principal ativo da digitalização.

Enquanto isso, as próprias expectativas sobre o trabalho mudaram. Se antes trabalhadores iam à labuta para alimentar a família, hoje as pessoas querem um lugar atento ao seu bem-estar e onde tenham um propósito de vida maior.

De tudo a que assisti no South by Southwest, tirei três lições que farão as empresas estarem bem posicionadas em material humano para encontrarem o sucesso digital:

1) Saiba comunicar e atuar de acordo com o seu propósito.

Mais do que nunca, as novas gerações alinham suas expectativas profissionais a empresas que tenham uma missão a cumprir. Essa mensagem precisa ser comunicada o tempo todo de maneira transparente.

Mas só falar não é suficiente. Os jovens estão atentos às ações dos seus empregadores e exigem muita coerência entre o discurso e a prática.

2) Dê autonomia e deixe claro o impacto de cada um na organização.

Conectar o seu trabalho aos resultados alcançados ou ser apenas mais um em uma engrenagem corporativa de milhares de pessoas? O modelo operacional das empresas precisa mudar -e rápido- se quiserem atrair mais talentos digitais.

As pessoas querem se sentir empoderadas para fazer o que é preciso. Eliminar “gerências intermediárias” ou “camadas” –conforme a metodologia ágil é um caminho sem volta.

3) Ofereça um espaço de trabalho aconchegante.

Temos visto muitos profissionais trocarem carreiras com altos salários em grandes companhias para trabalhar em lugares menores, que oferecem soluções mais convenientes –como facilidade de acesso e um escritório acolhedor.

Parece uma bobagem, mas o ambiente e a qualidade do espaço físico (desde mesas, computadores e até a localização) influenciam muito na vontade das pessoas de ficar em uma companhia.

Com uma guerra por talentos (e a dificuldade em encontrar profissionais digitais), é preciso repensar como reter as pessoas altamente habilidosas.

Existe uma altíssima concorrência por designers, programadores, gerentes de projeto e pessoas de produto digital, porque a demanda tem sido muito maior que a oferta.

Além da opção de empreender, essas pessoas podem escolher trabalhar em empresas de grande ou pequeno porte (geralmente, em busca de um estilo de vida) ou em startups, que têm oferecido vários tipos de incentivo para esses profissionais. 

Sem esses talentos, as companhias simplesmente não conseguem se transformar e podem acabar colocando seus negócios em risco.

Os estudos da McKinsey mostram que empresas mais digitalizadas têm crescimento até cinco vezes superior ao daquelas menos digitais. A prova de que já não é mais possível adiar essa transformação.

Para isso, não bastará apenas encontrar pessoas capacitadas. É preciso também cuidar para que elas queiram ficar. Ser muito humano é a principal oferta que você pode fazer nesta era digital.

Marcelo Tripoli é sócio associado da McKinsey e líder do Centro de Excelência em Marketing Digital da América Latina

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