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'Vingança a Sangue-Frio' será mais lembrado pela polêmica racista

O ator Liam Neeson foi acusado de racismo por uma história que contou ao jornal The Independent

Ivan Finotti

Vingança a Sangue-Frio (Cold Pursuit)

  • Classificação 16 anos
  • Elenco Liam Neeson, Laura Dern, Tom Bateman
  • Produção EUA, 2019
  • Direção Hans Petter Moland

“Vingança a Sangue-Frio” chega ao Brasil embalado por mais uma típica polêmica americana devido ao politicamente correto que assola o mundo virtual.

O ator Liam Neeson foi acusado de racismo por uma história que contou no início de fevereiro ao jornal inglês The Independent, em uma entrevista para divulgar o filme.

Neeson disse que há 40 anos uma amiga sua contou ter sido estuprada por um negro. Por dez dias, ele vagou com uma barra de ferro por bairros onde negros moravam, procurando arrumar confusão com qualquer um para satisfazer uma “necessidade primária de atacar”.

Apesar de a première em Nova York ter sido cancelada depois do episódio, a controvérsia não causou estragos na bilheteria nos Estados Unidos, que teve a mesma média de outros filmes de ação recentes protagonizados por Neeson.

No Brasil, a Paris Filmes achou por bem adiar o longa-metragem por um mês. Nesta quinta (14), finalmente chega às salas por aqui.

Bem, a “necessidade primária de atacar” tem tudo a ver com “Vingança a Sangue-Frio”, daí o fato de Neeson ter citado a história a jornalistas.

O ator de 66 anos encarna um pai que busca se vingar da morte do filho nas mãos de um cartel de drogas. Sem muitas delongas, Nels Coxman, personagem interpretadopor Neeson, vai matando membros da gangue, um a um, até chegar ao chefão.

Coxman é um limpador de neves em estradas em uma pequena estação de esqui próxima a Denver. Usa um supercaminhão com uma cunha de ferro na frente para abrir caminho (ou destruir quem estiver pela frente). Essas cenas são bacanas. 

O diretor é o norueguês Hans Petter Moland, que na verdade está refilmando ou fazendo uma versão americana de uma de suas obras, “Cidadão do Ano” (“Kraftidioten”), de 2014.

Refilmando, não. Moland está fazendo um decalque cena a cena do original norueguês. As diferenças são os atores escolhidos. 

No primeiro, Nels Coxman se chama Nils Dickman (o sobrenome de ambos significa algo como homem-pinto, em inglês) e é interpretado pelo sueco Stellan Skarsgård, que frequenta várias obras de Lars von Trier (cuja produtora estava envolvida na produção original).

Os sérvios de lá viraram índios americanos aqui, mas há uma perda irreparável: o chefão da gangue sérvia era Bruno Ganz, o grande ator suíço morto há um mês e que fez Hitler em ‘A Queda’ e o anjo Damiel em “Asas do Desejo”.

O filme tem um tom de Tarantino, no sentido de abusar da hiperviolência, com muito sangue, mas não levá-la a sério. As mortes são pontuadas por músicas engraçadinhas e são marcadas por epitáfios escritos na tela.

O divertido chefão das drogas está melhor neste novo filme, na interpretação de Tom Bateman, um criminoso mais preocupado com a dieta orgânica de seu filho.

No fim das contas, essa nova versão, inferior ao original norueguês, não é ruim. Mas será mais lembrada pela polêmica envolvendo Liam Neeson do que por seus próprios méritos. Isso ser for lembrada.

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