Werner Herzog, Paul Auster e Luc Ferry discutem quais os sentidos da vida

Nomes fazem parte da escalação de conferencistas da nova edição do Fronteiras do Pensamento

Guilherme Genestreti
São Paulo

Num ano de humores políticos tão exaltados, debruçar-se sobre os sentidos da vida pode soar extemporâneo. Mas há uma dimensão ética, coletiva, implicada na forma como cada um busca mover a própria existência. É disso que se ocupará a próxima edição do ciclo de conferências Fronteiras do Pensamento.

“A discussão sobre a postura do indivíduo diante de um mundo cada vez mais interconectado leva a pensar que viver também é conviver”, afirma Fernando Schuler, professor do Insper e curador do evento, de maio a novembro em São Paulo e Porto Alegre.

Ele estruturou a linha temática das discussões deste ano a partir de uma provocação do psicanalista Contardo Calligaris, colunista da Folha e que defende que mais importante do que a felicidade é buscar ter uma vida interessante.

“E o que seria isso?”, indaga Schuler. “No século 19 havia um sentido heroico, no século 20 veio a ideia do bem-estar. Mas como essa questão clássica da filosofia se impõe hoje? Vamos fazer uma investigação sobre estilos de vida.”

Do eixo mais engajado, isto é, daqueles que encontraram sentido de viver a partir de atuação mais militante, um dos destaques é Graça Machel. A ativista moçambicana, viúva de Nelson Mandela, abre as palestras falando de sua luta em prol da educação de crianças e da emancipação feminina em regiões pobres. 

Já o médico congolês Denis Mukwege, vencedor do Nobel da Paz, fala do trabalho no hospital onde atendeu  milhares de vítimas de estupros da guerra civil da República Democrática do Congo. 

Fora desse arco mais politizado, o Fronteiras do Pensamento também acolhe os insights daqueles que movem suas vidas por outras vias. 

O filósofo conservador Roger Scruton, por exemplo, propõe a saída pela arte, aqui entendida como exercício de transcendência. A física e astrônoma Janna Levin encontra sentido nas suas investigações sobre buracos  negros e ondas gravitacionais.

O escritor americano Paul Auster aborda como trabalhou essas questões existenciais no âmbito dos personagens de seus livros, enquanto o cineasta alemão Werner Herzog, de “O Enigma de Kaspar Hauser”, “Aguirre” e “Fitzcarraldo”, trata do que o move a criar uma obra tão diversa.

O próprio Calligaris, autor da provocação que virou mote, fala de sua trajetória e obra . O encerramento fica por conta do francês Luc Ferry, um dos grandes responsáveis por popularizar a filosofia hoje.

Schüler diz que a ideia é buscar mais perguntas do que respostas. “Não há ideia de fazer recomendação de como viver, não é curso de autoajuda.”

 

PROGRAMAÇÃO

Graça Machel
13.maio, 19h45 (Porto Alegre)
15.maio, 20h30 (São Paulo)

Paul Auster
17.jun, 19h45 (Porto Alegre)
19.jun., 20h30 (São Paulo)

Roger Scruton
1.jul., 19h45 (Porto Alegre)
3.jul, 20h30 (São Paulo)

Denis Mukwege
19.ago., 19h45 (Porto Alegre)
21.ago., 20h30 (São Paulo)

Janna Levin 
2.set., 19h45 (Porto Alegre)
4.set., 20h30 (São Paulo)

Werner Herzog
23.set., 19h45 (Porto Alegre)
25.set., 20h30 (São Paulo)

Contardo Calligaris
21.out., 19h45 (Porto Alegre)
23.out., 20h30 (São Paulo)

Luc Ferry
11.nov., 19h45 (Porto Alegre)
13.nov., 20h30 (São Paulo)

PREÇOS DOS PACOTES
Porto Alegre: R$ R$ 1.880
SP: de R$ 1.930 a R$ 3.080

Mais informações
11 3882-9180 ou fronteiras.com 

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