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Às vésperas de revelação de inéditos, obra de Salinger ganha nova editora no país

Livros do escritor serão publicados agora pela Todavia, mas editora diz que é cedo para falar de obras não publicadas

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São Paulo

A obra do escritor americano J.D. Salinger, autor do clássico "O Apanhador no Campo de Centeio", que estava dividida entre a histórica Editora do Autor e a L&PM, será publicada por uma nova casa no Brasil.

A Todavia comprou os direitos de todos os livros do autor publicados em vida e começa a lançá-los já em junho, com "O Apanhador", que terá a capa original publicada na primeira edição americana, em 1951. A tradução será de Caetano W. Galindo. A obra terá a mesma capa da primeira edição lançada nos Estados Unidos.

O romance mais famoso do escritor americano, junto a "Franny & Zooey" e "Nove Histórias", pertencia desde os anos 1960 à histórica Editora do Autor, fundada por Rubem Braga e Fernando Sabino. Salinger era o último autor remanescente no catálogo da casa, e ainda não se sabe qual será o futuro dela.

Foi a própria Editora do Autor que procurou a Todavia com planos de passar adiante a obra de Salinger. Um projeto foi apresentado ao espólio do escritor e aprovado, mas a editora paulistana não revela detalhes da negociação entre as três partes.

A nova casa também publicará "Para Cima Com a Viga, Carpinteiros & Seymour - Uma Introdução", antes editado pela L&PM.

A notícia vem a público pouco depois de Matt Salinger anunciar planos de publicar inéditos do pai. Por muitos anos, o espólio do escritor negava a própria existência desses manuscritos. Questionada sobre o conteúdo desses textos e sobre planos de publicá-los, a Todavia disse que é cedo para falar desse material.

Já não havia mais dúvida de que Salinger deixou textos não publicados. Em 1974, irritado com o fato de uma editora tentar publicar textos seus inéditos em livro, ele deu uma entrevista ao New York Times. Nela, revelou ainda escrever todos os dias e por longas horas —agora, contudo, apenas para si mesmo.

Em 2000, a filha do autor Margaret Salinger contou que o pai um dia lhe mostrou um cofre no qual guardava seus escritos, marcados com cores para sinalizar o que deveria ser publicado ou destruído após sua morte.

Em 2014, a biografia “Salinger”, de Shane Salerno e David Shields, trouxe um novo fato. O autor não só continuara a escrever, diziam os biógrafos, como deixara instruções para a publicação de uma série de inéditos entre 2015 e 2020.

Um dos livros seria uma reunião de contos sobre a família de Holden Caulfield, protagonista e narrador de “O Apanhador”. Outro traria contos antigos e inéditos sobre a família Glass, recorrente na obra de Salinger. Estariam previstos ainda outros três —dois inspirados na experiência do autor no front da Segunda Guerra Mundial e outro inspirado no vedanta, religião indiana seguida por ele.

Quando revelou seus planos, contudo, o filho do autor disse que esses textos aventados não eram reais.

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