Foals mostra no Lollapalooza rock mais agressivo do que em estúdio

No primeiro dia de festival, o grupo britânico ofereceu ao público mistura de influências

Thales de Menezes
São Paulo

No meio da tarde do primeiro dia do Lollapalooza, o britânico Foals ofereceu ao público paulistano sua já conhecida mistura de influências.

Banda que consegue unir os acordes de métricas intrincadas do math rock com a batida de pós-hardcore, o grupo liderado pelo guitarrista e vocalista Yannis Philippakis alcança resultados que podem flertar com o minimalismo ou com o progressivo.

Diante de uma plateia heterogênea, que tinha gente com camisetas do progressivo King Crimson e pessoas cantando Tribalistas para passar o tempo, Philippakis mostrou a química forte com seus parceiros Jimmy Smith (guitarra e teclados), Jack Bevan (bateria) e Edwin Congreave (baixo e teclados).

Os integrantes do Foals estão passando seu segundo final de semana consecutivo na América Latina. Tocaram no Lollapalooza Argentina, em Buenos Aires, no dia 30 de março, e no Lolla Chile, em Santiago, no dia seguinte. 

A banda é veterana do Lolla brasileiro. Esteve na edição de 2013, quando o festival ainda era no Jockey Club de São Paulo. Sua estreia no país foi antes, no Planeta Terra de 2008, quando tinha na bagagem apenas o primeiro álbum, o ótimo "Antidotes".

Além desses festivais, o Foals trouxe outros shows ao Brasil em 2011, 2015 e 2016. A maior curiosidade do show neste Lolla estava concentrada no repertório do recém-lançado quinto álbum, "Everything Not Saved Will Be Lost - Part. 1", que chegou às lojas em março, alcançando o segundo lugar da parada britânica.

Como o próprio título já entrega, é o primeiro volume de um lançamento ambicioso, que se completará ainda no segundo semestre deste ano com o disco "Part 2".

O grupo mostrou em São Paulo músicas do novo álbum, como “On the Luna", "In Degrees" e "Syrups". Apesar de trazerem a trama sonora esquisita do Foals, são rocks vigorosos, que ao vivo soaram mais agressivos do que suas versões em estúdio.

Misturando essas novas músicas com hits já familiares ao público brasileiro, como "Mountain at My Gates" e "My Number", o Foals parece não ter sentido a saída do baixista Walter Gervers, que largou o grupo no ano passado.

Num show curto, como demanda o Lolla, eles concentraram o repertório em alguns de seus números mais intensos e acelerados.

É incrível perceber a força que ainda reside nas músicas do álbum de estreia. De "Antidotes", o grupo apresentou "Olympic Airways", o hit mundial "Red Socks Pugie" e a empolgante "Two Steps, Twice".

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