Segundo dia do Lollapalooza começa com 'foi golpe sim' e 'liberdade para Rennan'

Duda Beat coloca o público para dançar tecnobrega e puxa protestos no 2º dia de festival

São Paulo

Foi a poderosa união de letras sofridas e batidas dançantes que fez de Duda Beat uma das maiores revelações da música brasileira de 2018 para cá que o palco Adidas do Lollapalooza foi aberto no sábado (6), dia que costuma ser o mais disputado do festival.

Os primeiros minutos do show já sintetizaram a energia musical de Duda. Em "Parece Pouco" e “Bédi Beat”, os relatos de uma decepção amorosa são somados ao sotaque pernambucano e a sons sintéticos típicos do tecnobrega, da música eletrônica e do pop, que ainda ganharam uma dupla de metais ao vivo.

Duda Beat se apresenta no segundo dia do Lollapalooza 2019 - Iwi Onodera/UOL

Os 40 seguintes foram de uma Duda 100% brasileira botando a massa de hipsters para curar a sofrência dançando tecnobrega.

No disco de estreia, “Sinto Muito” (2018), e ao vivo, quando o grupo formado por Lux Ferreira, Gabriel Bittencourt, Felipe Vellozo e Camila e Luiza D'Alexandre capricham ainda mais nas versões e ganham a companhia de dançarinos, misturam-se referências regionais como o brega, reggae, dub, pop e batidas de funk.

O repertório —uma surra de grave que não alivia a cintura nem da pessoa mais sem aptidão para a dança— emendou músicas como “Derretendo”, “Pro Mundo Ouvir”, “Meu Jeito de Amar”, feita em parceria com Omulu, e “Chapadinha na Praia”, uma releitura de “High By the Beach”, de Lana Del Rey. A última, divulgada apenas no YouTube às vésperas do Carnaval, foi uma das mais dançadas pelo público.

A surpresa foi a presença dos amigos Jaloo e Mateus Carrillo, que subiram ao palco para cantar a inédita parceria dos três, "Chega" --outro hit em potencial.

Mas o grande ouro de Duda ficou para o final. As versões original e remixada de “Bixinho”, a música que a alçou ao mais próximo de mainstream que um artista alternativo pode chegar, foram cantadas em coro e dançadas até o chão, no melhor momento do show, e certamente um dos melhores do lineup nacional do festival.

Muito aplaudidos, Duda, banda e dançarinos saíram do palco e deixaram para trás as mensagens “1964 foi golpe sim” e “Liberdade para Rennan da Penha”.

Um dos criadores do Baile da Gaiola, que leva milhares de fãs a uma favela da zona norte carioca, o DJ Rennan da Penha recebeu ordem de prisão da Justiça do Rio de Janeiro, em março. Ele é acusado de ser olheiro do tráfico e de fazer festas que exaltam o crime, mas foi inocentado pela primeira instância há três anos. Concluíram à época que as provas eram insuficientes. Agora, no entanto,  uma nova testemunha incrementou a denúncia da Promotoria.

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