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Reinaldo Lourenço tenta dar verniz elegante à cafonice de Miami na SPFW

Veterano abre a semana de moda evocando cenário kitsch, néons e art decó

Modelos desfilam para Reinaldo Lourenço na SPFW  - Eduardo Carmim/Photo Premium/Agência O Globo
Pedro Diniz
São Paulo

Dizem que o cafona está na moda. Reinaldo Lourenço parece saber bem disso. Foi parar em Miami, nos Estados Unidos, para pescar referências de seu desfile, que abriu a 47ª edição da São Paulo Fashion Week, nesta segunda-feira (22), no centro.

Certo de que o conceito sobre a feiura é mutável, o estilista arriscou estampar os antigos prédios art decó que circundam a parte sul do balneário em peças de alfaiataria e vestidinhos esvoaçantes. 

As luzes dos néons que iluminam essas construções tingiram parte da coleção, meio fúcsia. Um cenário tão kitsch quanto a mistura excêntrica de blogueiras, madames e compradoras que se amontoaram nos bancos hipercoloridos dispostos pelo Farol Santander, onde ocorreu o desfile.

Lourenço, um dos estetas mais interessantes do calendário da São Paulo Fashion Week, preferiu um porto seguro, ou melhor, um pedaço de areia segura para não derrapar no asfalto. Foi da praia que ele tirou as hot pants combinadas a camisas bem cortadas, com fenda nos ombros ou nas costas, arrematadas por cintos e bolsas a tiracolo.

A camisaria com detalhes em laise —tecido de algodão com bordados vazados— e a série de vestidos de couro com partes unidas por ilhoses de metal são comuns ao trabalho do designer, que fica na zona de conforto ao apostar num bloco inteiro dessas peças.

Especialista em modelagem, Lourenço cria saias envelopadas de couro, que podem ser abertas para revelar shorts para dias quentes.

É como se, no meio de tanto amarelo-berrante, rosa-bebê e verde-qualquer-coisa, o estilista tentasse dar verniz elegante à cafonice intrincada e, em alguma medida, festejada da Flórida dos notívagos.

Essa noite de clima ameno é um cartão-postal para os mais de 400 mil brasileiros que vivem ali e para os endinheirados que saíram do Brasil para viver a realidade plastificada em Miami. Lourenço, espertamente, cria pensando neles.

Ainda que no bloco final de vestidos degradê ele pareça copiar criações recentes do britânico Christopher Kane e o outono 2018 da grife americana Sies Marjan, novo hype dos EUA, o estilista acerta o meio entre a estética ensolarada e a rigidez da metrópole.

Se é cafona ou não, pouco importa. Miami está aí para provar a receita do sucesso.

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