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Relação entre moda perene e descartável é tema da SPFW

Estilistas refletem sobre destino do lixo têxtil e uso de plástico e fibras naturais

Modelos desfilam coleção da Apartamento 03 durante a São Paulo Fashion Week, em abril de 2019

Modelos desfilam coleção da Apartamento 03 durante a São Paulo Fashion Week, em abril de 2019 Nelson Almeida/AFP

Pedro Diniz Giuliana Mesquita
São Paulo

Se uma das grandes discussões da moda atual é o destino do lixo têxtil jogado nos oceanos e a falta de filtro dos consumidores na compra desenfreada, novas mentes criativas começam a pensar no assunto na passarela da São Paulo Fashion Week.

No início do quinto dia de desfiles, nesta sexta-feira (26), a marca jovem Ão, da estilista Marina Dalgalarrondo, mostrou as possibilidades de uso do algodão em formas orgânicas, lânguidas e com volumes por toda a extensão dos vestidos e calças combinadas a túnicas.

Por meio da roupa, ela tentou destrinchar as ondas sonoras da música, entre momentos de barulho e silêncio. Serve como metáfora da profusão de ideias desconexas que muitas vezes se vê na passarela e o extremo oposto, uma moda mais simplista e perene.

Perenidade é um conceito vinculado ao luxo —e foi isso que a Apartamento 03 entregou em seu desfile, um dos mais elegantes do dia. 

A ação do tempo nas roupas e como as pessoas podem se aproveitar das imperfeiçoes dos tecidos naturais conduzem o estudo milimétrico de Luiz Claudio Silva sobre texturas.

Modelo desfila coleção da Apartamento 03 na São Paulo Fashion Week, em abril de 2019
Modelo desfila coleção da Apartamento 03 na São Paulo Fashion Week, em abril de 2019 - Nelson Almeida/AFP

O estilista mineiro lança mão do linho amassado e dos maxipaetês plastificados para questionar a beleza de cada um deles, na intenção de provocar uma reflexão sobre o que é perene, mas imperfeito, como a fibra natural, e o que é descartável, mas aparentemente infindável, caso o plástico.

O bloco colorido veio do guarda-roupa do livro “Paraísos Artificiais”, de 1851, escrito por Charles Baudelaire. A viagem lisérgica do volume é expressa nas cores elétricas da coleção, que transitam entre o laranja e o rosa-choque.

Essa mesma ideia do plástico como base criativa foi vista na passarela da Mipinta. Estilista mineiro radicado em Bruxelas, na Bélgica, Fernando Miró apresentou na São Paulo Fashion Week o esmero matemático da corrente belga, trazendo uma mistura de peças esportivas geométricas à passarela paulistana.

Os tecidos usados em peças similares às de mergulhadores parecem de náilon plástico, mas são de fibras naturais. A confusão faz parte da crítica que ele tece ao descarte de plástico nos oceanos. O assunto, ao que parece, ainda renderá muito pano para a manga e o corpo também.

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