Rio recebe filial do Montreux Jazz Festival e segue característica do evento

Lineup mescla talentos consagrados com músicos emergentes em junho

Thales de Menezes
Rio de Janeiro

Em 1978, o Montreux Jazz Festival já tinha completado uma década e transformara a pequena cidade suíça numa capital de boa única com esse evento anual. Foi naquele ano que o produtor musical Marco Mazzola levou a primeira representação brasileira ao festival, com Gilberto Gil e A Cor do Som. Agora, depois de inúmeras outras noites brasileiras organizadas por Mazzola na Suíça, é o evento que vem ao Brasil.

Entre os dias 6 e 9 de junho, o Rio de Janeiro vai receber uma "filial" do festival. Três palcos serão montados no Pier Mauá, na região central da cidade. No Armazém 2, o palco Tom Jobim terá capacidade para 780 pessoas sentadas. No Armazém 3, o palco Villa-Lobos receberá 3.500 pessoas em pé. E o terceiro palco, Ary Barroso, será aberto, na varanda do pier. Além desses três espaços com cobrança de ingressos, o festival terá cinco palcos gratuitos espalhados pela cidade. Locais e programações desses eventos gratuitos ainda devem ser anunciados.

Sobre o lineup, Mazzola afirma que tentou seguir uma das características do festival original, que é mesclar talentos consagrados com músicos emergentes. "Se você olhar a programação de edições passadas na Suíça, verá que estão ali nomes que algum tempo depois se destacariam. Nomes que cresceram nas carreiras depois de tocar lá", diz o produtor.

Mazzola ressalta que procurou trazer músicos brasileiros que são hoje instrumentistas talentosos mais conhecidos fora do país. É o caso de Diego Figueiredo, violonista e guitarrista que já lançou 23 CDs e tocou em mais de 60 países, mas ainda sem ter se tornado popular no Brasil. Da novíssima geração, o guitarrista Pedro Martins é estrela em ascensão. Seu mais recente álbum, "VOX", tem participação do gigante do jazz Brad Mehldau.

Até mesmo o bandolinista Hamilton de Holanda e o violonista Yamandu Costa, nomes consagrados por quem acompanha música instrumental no Brasil, podem ter no festival um alcance de público ainda maior. Em outra proposta do festival, que incentiva encontros inéditos na programação, eles farão shows com convidados. Hamilton tocará com o percussionista Paulinho da Costa, nome tão requisitado nos estúdios americanos que participou de discos de Michael Jackson e Madonna. Yamandu será acompanhado da Camerata Jovem do Rio de Janeiro, conjunto da organização que ensina música clássica a crianças.

Esses encontros têm força também com as escalações de Ivan Lins ao lado do pianista cubano Chucho Valdés, de Maria Rita cantando com o Quarteto Jobim, só com repertório de Tom Jobim, do inusitado show dos guitarristas Davi Moraes e Pedro Baby ao lado de tambores pesados e uma noite de colaboração mais pop, com Frejat, Pitty e Zeca Baleiro dividindo palco.

Outras duas atrações nacionais chamativas são o bruxo Hermeto Pascoal, sempre uma surpresa, e um show de heavy metal acústico comandado por Andreas Kisser, guitarrista do Sepultura.

Entre as grandes atrações internacionais, um "dream team" de guitarristas americanos. O festival terá shows do virtuoso Al Di Meola, do roqueiro e experimental Steve Vai e do inovador do jazz John Scofield. Para completar os nomes principais, a lenda do contrabaixo Stanley Clarke.

Gaetano Lops, da produtora Gael, que é parceiro de Mazzola na organização do festival, destaca que os artistas estão vindo ao Brasil exclusivamente para se apresentarem no Rio Montreux Jazz Festival. Não farão turnês pelo país. Segundo Claudio Romano, CEO da Dream Factory, que completa o trio de produtores, a oscilação do dólar dificultou ainda mais as negociações.

Mas tudo deu certo, após 41 anos de aproximação de Mazzola com o festival suíço, levando sempre brasileiros para tocar lá e desenvolvendo uma amizade forte com o criador do evento, Claude Nobs. Morto em 2013 em um acidente de esqui, ele não poderá ver o sonho realizado de Mazzola ao trazer Montreux para o Rio.

Pôster do Rio Montreux Jazz Festival assinado pelo publicitário brasileiro Marcello Serpa
Pôster do Rio Montreux Jazz Festival assinado pelo publicitário brasileiro Marcello Serpa - Divulgação

Para seguir uma tradição do evento original, que a cada ano apresenta um pôster oficial criado por algum grande artista, como Andy Warhol, David Bowie e Keith Haring, o Rio Montreux tem o cartaz de sua primeira edição assinado pelo publicitário brasileiro Marcello Serpa.

Os ingressos para o festival já estão à venda no site riomontreuxjazzfestival.uhuu.com, com preços de R$ 100 a R$ 187. Comprando com o Vale Cultura, a inteira custa R$ 50, com meia a R$ 25.

Tópicos relacionados

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.