Descrição de chapéu

Tribalistas tem apresentação descomunal no Lollapalooza

Banda dá impressão de ter os fãs mais fervorosos do festival

Thales de Menezes
São Paulo

Tribalistas

  • Quando 5/4

A estrada fez muito bem ao show dos Tribalistas. No Lollapalooza 2019, em Interlagos, o trio encerrou nesta sexta (5) sua turnê brasileira para grandes plateias, iniciada no ano passado para percorrer arenas de futebol do país. Embora mais curta do que sua apresentação habitual, porque o show precisou ser editado para encaixar na grade do Lolla, a performance pareceu deixar satisfeitas as várias tribos musicais presentes no público.

 

Apesar da atração principal do primeiro dia de festival ser o britânico Arctic Monkeys, os Tribalistas deram a impressão de ser a banda programada com mais fãs fervorosos espalhados em Interlagos. Em rodas de amigos, alguns diziam ter vindo ao Lolla porque não tinham conseguido ingressos quando o trio se apresentou no Allianz Parque, no ano passado.

Desde a estreia do show, em Salvador, em julho, os Tribalistas já se mostravam cativantes no palco. Mas, naquela época, era possível sentir uma leve diferença na recepção do público para as músicas do primeiro álbum, de 2002, e as do segundo, só lançado em 2017. E era natural essa sensação, já que o álbum de estreia foi uma das sensações musicais da década passada e suas faixas continuaram sendo tocadas pelos fãs por 15 anos.

Agora, o que se viu em Interlagos foi a imensa plateia tratando com intimidade os sucessos do segundo disco. O conjunto de todas as músicas apresentadas ganhou uma força descomunal. Canções como "Diáspora”, agora em alta rotação por ser tema de abertura de novela da Globo, e “Aliança” foram cantadas em coral com ares de clássicos eternos da MPB.

No palco, eles entregam o bom repertório e reafirmam as personalidades conhecidas do trio. Carlinhos Brown, à direita, fica algums vezes entrincheirado por seus instrumentos de percussão. Solta a voz e agita o corpo para marcar os momentos mais vibrantes do repertório.

À esquerda, Arnaldo Antunes exibe seus requebrados característicos, em gestual que fica entre o robótico e o molejo malandro. O passado roqueiro com os Titãs e a extensa lista de hits que gravou sozinho arregimentam um público fiel, fazendo dele talvez o foco principal de uma plateia paulistana.

No centro, Marisa Monte ganha ares de sacerdotisa e parece manter os dois homens do trio em uma conexão ao mesmo tempo delicada e nervosa. Ao contrário de Arnaldo, que tem seus vocais ajudados pelo coro da plateia, quando Marisa canta muita gente prefere se calar e ouvir uma das vozes mais poderosas da história da MPB.

Músicas como “Velha Infância” e “Já Sei Namorar” foram elencando momentos de catarse. Se havia qualquer dúvida sobre como os Tribalistas renderiam num festival de evidente miscigenação musical, no final todos tiveram que concordar: o trio foi reverenciado como divindade musical.

 
Erramos: o texto foi alterado

Uma versão anterior deste texto informava que o primeiro álbum do trio é de 1992; o correto é 2002

Tópicos relacionados

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.