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'Vingadores: Ultimato' ocupa 80% das salas do Brasil e reacende polêmica

Filme da franquia da Marvel reabre controvérsia sobre 'lançamentos predatórios'

Scarlett Johansson e Chris Evans em 'Vingadores: Ultimato'
Scarlett Johansson e Chris Evans em 'Vingadores: Ultimato' - Divulgação
Guilherme Genestreti
São Paulo

Maior estreia do ano, o filme "Vingadores: Ultimato" deve ocupar até 80% das salas de cinema do Brasil, segundo estimativas do setor. O longa, que encerra parte da saga dos super-heróis da Marvel, terá sessões a partir da madrugada de quarta (24) para quinta (25). A Ancine informa que irá "monitorar a questão". 

Procurada, a Disney não informa em quantas salas a obra será projetada. Mas nos cálculos do Filme B, portal que monitora esse tipo de dado no país, o número deve chegar a 2.700. Hoje, o parque exibidor brasileiro tem 3.356 salas.

Isso significa que 80% do total de espaços cinematográficos do país estarão ocupados com as aventuras de Capitão América, Homem de Ferro, Thor, Hulk etc. Para se ter uma dimensão do fenômeno, até mesmo o Reserva Cultural, cinema de rua paulistano que é famoso por exibir filmes europeus e obras autorais, exibirá o novo 'Vingadores'.

O número é expressivo e está bem próximo do lançamento de blockbusters recentes. Em 2018, por exemplo, o filme anterior da franquia, "Vingadores: Guerra Infinita", ocupou 2.938 salas. Já "Os Incríveis 2", produção de animação da Pixar, estreou em 2.837 salas, e "Jurassic World: O Reino Ameaçado", em 2.789.

A ocupação massiva reacende uma polêmica que diz respeito aos chamados "lançamentos predatórios", como foram chamados na época pela Ancine, a agência brasileira que regula o setor audiovisual. 

Em 2014, "Jogos Vorazes: A Esperança" havia batido o recorde até então e estreado em metade das salas brasileiras. Na época, produtores, distribuidores e exibidores sentaram com a Ancine e fizeram um acordo para limitar tais tipos de blockbusters a certo número de salas por complexo. 

"O espectador que encontrar apenas um título em quase 50% das salas desiste. É menos ingresso sendo vendido e redução o hábito do cinema", disse à Folha o então presidente da entidade, Manoel Rangel. 

Cinco anos depois, as grandes redes de cinema não parecem mais querer respeitar o acordo e até aumentaram a proporção de salas em que um único filme será exibido. Isso porque a chamada cota de tela suplementar, resultante desse trato, foi suspensa em 2018, por decisão do Tribunal Regional Federal.

Em seu voto como relator, o desembargador Johonsom di Salvo afirmou que a cota configura “severa intervenção em atividade negocial lícita” e que, como a atividade cinematográfica “não tem natureza de serviço público”, ela “só pode receber do poder público uma tutela mínima”.

Di Salvo foi favorável a uma apelação interposta pelo Sindicato das Empresas Exibidoras Cinematográficas de São Paulo, que ingressou na Justiça contra a medida implementada naquela época pela Ancine.

Procurada nesta semana, a agência do cinema informa que irá "monitorar essa questão". "O assunto é pauta da Câmara Técnica de Salas de Exibição, que conta com representantes de associações de distribuidores, exibidores e produtores do audiovisual", informa, via assessoria de imprensa.

"Vingadores: Ultimato" é o desfecho da saga de super-heróis da Marvel. O filme acompanha o Homem de Ferro, o Hulk, o Capitão América e outros personagens que sobreviveram no filme anterior tentando contornar os estragos causados pelo vilão Thanos, que dizimou metade da população do mundo.

Erramos: o texto foi alterado

Versão anterior do texto grafou incorretamente o nome do personagem Capitão América

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