Descrição de chapéu

Antepenúltimo 'Game of Thrones' teve bons diálogos, pouca ação e muita tensão

Episódio deste domingo foi uma grande armação para o que ainda está por vir

Tony Goes
São Paulo

Depois da tempestade, vem a bonança? Mais ou menos.

Uma semana depois do épico combate entre vivos e mortos-vivos, era óbvio que o quarto episódio da última temporada de “Game of Thrones” traria algum respiro. Com o Rei da Noite fora do caminho, a vitória final dos bonzinhos —Jon Snow, Daenerys e companhia bela— parecia, se não garantida, bem facilitada.

Daqui em diante vem spoiler. O capítulo começou de forma solene, com o funeral dos mortos na batalha de Winterfell. Mas o clima desanuviou rapidamente: às piras funerárias, seguiu-se um animado banquete no interior do castelo, com brindes, vivas e até algumas paqueras.

Durou pouco. Antes mesmo do festim terminar, Daenerys Targaryen (Emilia Clarke) já estava de cara amarrada. A Mãe dos Dragões percebeu que seu amado Jon (Kit Harington) é muito mais amado no Norte do que ela —e o povo ainda nem sabe que é ele o verdadeiro herdeiro do Trono de Ferro. Os olhares de soslaio de Sansa (Sophie Turner) só pioraram o mal-estar.

A noite terminou bem mais alegre para Brienne de Tarth (Gwendolyne Christie). Agora sabemos por que os roteiristas a mantiveram viva até agora: para presenteá-la – e ao seu fã-clube – com uma cena de amor com Jaime Lannister (Nikolaj Coster-Waldau), por quem a cavaleira é doidinha desde a terceira temporada.

O romance também sorriu para Arya (Maisie Williams). A mais jovem dos Stark recebeu uma proposta de casamento de Gendry (Joe Dempsie), recém-promovido a Lorde Baratheon por Daenerys. Por um segundo, pareceu que a trajetória da pequena guerreira terminaria da maneira mais convencional possível.

 

Felizmente, “Game of Thrones” ainda rompe convenções. Arya recusou polidamente a oferta. Mais tarde, uniu-se a seu antigo inimigo, o Cão de Caça (Rory McCann), em uma cavalgada rumo ao sul de Westeros.

Quem também se mandou foi Jaime. O bonitão até que tentou permanecer ao lado de Brienne, que jurou ficar em Winterfell para proteger Sansa Stark. Mas, ao se dar conta de que sua adorada Cersei (Lena Headey) realmente corre perigo, ele não aguentou. Saiu de fininho do quarto, arreou seu cavalo e deu no pé, deixando Brienne aos prantos.

Esses momentos dignos de uma boa telenovela foram temperados com outros, mais sutis. As intrigas políticas voltaram ao centro da trama, agora que os zumbis se foram. E, aos poucos, os roteiristas vão pintando um quadro em que Daenerys aparece como uma rainha voluntariosa e cruel. Tyrion (Peter Dinklage) e Varys (Conleth Hill) —que finalmente disse alguma coisa nesta temporada— estão chegando à conclusão de que talvez, quem sabe, ela não seja a melhor candidata ao Trono de Ferro.

Impaciente, Daenerys resolve zarpar o quanto antes para Porto Real, mesmo com suas tropas ainda exaustas. Acabam sendo emboscados pela frota de Euron Greyjoy (Pilou Asbæk), que consegue matar mais um dragão. A bela Missandei (Nathalie Emmanuel) também é levada com refém pelos mercenários a soldo de Cersei.

A tensão acumulada ao longo de todo o episódio culmina com um encontro nos portões de Porto Real. Do lado de fora, Daenerys, acompanhada por seu estado-maior e pelo dragão que sobrou, ainda tenta dialogar. No alto das muralhas, Cersei tem a expressão pérfida de quem já saboreia sua próxima maldade. Que não tarda: ela logo dá a ordem para o Montanha (Hafþór Júlíus Björnsson) decapitar Missandei. Lá embaixo, Daenerys bufa de ódio. Fim.

Consta que o próximo capítulo, o penúltimo de toda a série, será o mais explosivo de todos. Tomara. O deste domingo (5) teve diálogos interessantes, alguma enrolação e poucos momentos em que correu a adrenalina. Foi um imenso “set-up”: uma armação para o que está por vir.

Agora teremos sete dias intermináveis para saber o que acontece depois.

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