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Cinema

Documentário com marinheiros na Antártida traz depoimentos banais

'Antártica por um Ano' supera obstáculos para acompanhar brasileiros no continente

Naief Haddad

Antártica por um Ano

  • Classificação Livre
  • Produção Brasil, 2018
  • Direção Julia Martins

Não existiria o documentário “Antártica por um Ano” sem a tenacidade da pequena equipe comandada pela diretora Julia Martins. 

Em 2012, uma semana antes da viagem para o início das filmagens, ocorreu o incêndio que destruiu 70% da estação Comandante Ferraz, a base brasileira na Antártida. Os planos foram suspensos. 

O projeto só foi retomado em 2015. Julia acompanhou, então, o grupo de 15 marinheiros em um navio que seguia para a ilha Rei George, onde fica a estação.

Cena do documentário "Antártica por um Ano"
Cena do documentário "Antártica por um Ano" - Divulgação

No caminho, no entanto, surgiu outra surpresa. Eles tiveram que aguardar duas semanas em Puerto Williams, no Chile, devido aos campos de gelo que tinham se formado nos arredores da ilha. 

Ao chegar à Antártida, a equipe de filmagens só pôde ficar cinco dias, e não os 20 planejados inicialmente.

De qualquer modo, o documentário, finalmente, ganhava vida —Julia e sua equipe ainda voltariam outras duas vezes à estação para registrar as atividades dos marinheiros que permaneceram um ano ininterruptamente no local.

Ainda que louvável, persistência não basta para conceber um bom filme.

O documentário pode ser dividido em duas frentes: a observação das paisagens naturais e, principalmente, o testemunho da experiência de 14 homens e uma mulher.

O filme se destaca quando retrata dois personagens. Um deles é a médica, a única mulher, que passa a questionar a existência de Deus após conhecer a obra de Nietzsche por vídeos. 

O outro é o comandante, que conduz o samba e se comove com facilidade. 

Mas há uma série de depoimentos banais. O filme se enfraquece ao deixar de lado uma hierarquia mais nítida —quem são, afinal, os personagens que geram interesse? 

É fascinante acompanhar as transformações pelas quais a natureza passa. São momentos em que a potência das imagens vale por si só, mas o documentário quase põe a perder esse trunfo com uma música insistente. 

Em vez de servir como complemento, a trilha sonora parece rivalizar com as imagens mostradas. 

Em suma, “Antártica por um Ano” é um filme digno, mas fica aquém do que poderia ao abrir mão 
de escolhas mais claras e assertivas.

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