Kenny Barron se apresenta em São Paulo antes de fechar o Bourbon Festival Paraty

Lenda do jazz, pianista americano toca com os brasileiros Nilson Matta e Rafael Barata no dia 9, no Bourbon Street

São Paulo

Após comemorar dez anos em 2018, em sua proposta de reunir jazz, blues, R&B e soul numa cidade de forte apelo turístico, o Bourbon Festival Paraty começa sua nova edição na próxima sexta (10). A programação de shows gratuitos ao ar livre terá sua principal atração no encerramento, no domingo (12): Kenny Barron.

Aos 75 anos, o pianista nascido na Filadélfia tem inegável status de lenda do jazz. Além de 50 álbuns gravados como bandleader, Barron esteve em palcos e estúdios tocando com um verdadeiro "de A a Z" do melhor jazz da história.

Para escalar apenas 11, uma seleção de craques, a lista poderia ter Stan Getz, Dizzy Gillespie, Freddie Hubbard, Chet Baker, Ella Fitzgerald, Billy Cobham, Ron Carter, George Benson, Benny Carter, Dianne Reeves e Buddy Rich.

A relação o credencia como um dos maiores acompanhantes do jazz, e sua resposta à pergunta sobre quais as qualidades necessárias a um bom "sideman" é inusitada.

"Você tem que saber escutar", diz Barron. "Escutar o que toda uma banda está tocando, escutar o que está na cabeça do líder. Na verdade, esta é a principal qualidade para qualquer um que tenha intenção de tocar bom jazz. Mais do que tocar bem, você tem de escutar bem."

E ele logo dá como exemplos os músicos que vão acompanhá-lo nos dois shows no Brasil. Antes de Paraty, Barron se apresenta com os brasileiros Nilson Matta e Rafael Barata no dia 9, no Bourbon Street, a casa paulistana de shows que organiza o festival praieiro.

"Minha afinidade com Nilson é enorme", diz o americano sobre o baixista do Trio da Paz. E relembra que Barata tocou bateria em um dos grandes discos de sua carreira, "Kenny Barron & The Brazilian Knights", de 2012.

A ligação do pianista com a música brasileira está comprovada em pelo menos outros dois álbuns de sua discografia, "Sambao" (1993), com Toninho Horta na guitarra, e "Canta Brasil" (2002), gravado com o Trio da Paz, que tem Matta, o guitarrista Romero Lubambo e o baterista Duduka da Fonseca.

"Minha atração por sons do Brasil está na riqueza melódica. Seu país faz uma música incrível e complexa. Às vezes uma pequena mudança na harmonia já transforma uma música, mas tudo bem, ela continua ótima."

Seu álbum mais recente, o muito elogiado "Concentric Circles" (2018), tem uma gravação de "Aquele Frevo Axé", de Caetano Veloso.

"Vou incluir músicas brasileiras nos shows em São Paulo e Paraty, claro. São lindas e assim vou ser avaliado pelo público por algumas músicas já conhecidas", afirma.

Barron é professor de piano e de harmonia há mais de 25 anos, em algumas das melhores escolas do mundo. Primeiro, na Rutgers University, em Nova Jersey, e depois na Julliard School of Music, em Nova York.

"Pessoas me perguntam o que a atividade de professor me trouxe. Com ela eu aprendi a aprender. Descobri que mesmo meus alunos bem jovens têm algo a me ensinar. Não quero parar de aprender."

Assim, não chega a surpreender que Barron discorde de muita gente que classifica a fase atual do jazz como inferior a uma cena de ouro do gênero, entre as décadas de 1940 e 1960.

"Quanto a essa história de tempos românticos no passado, eu acho que hoje os jovens tocam melhor do que a maioria dos antigos jazzistas. São tempos diferentes, antes a vida poderia ser melhor para todos, mas, tecnicamente falando, a teoria e os equipamentos oferecidos agora podem fazer um garoto crescer muito. Músicos são bons em qualquer geração, esta é a verdade."

Barron vai encontrar diferentes gerações em Paraty. Entre os destaques estão a cantora canadense Dawn Tyler Watson e o guitarrista americano Mark Lambert.

Conhecido pelo Playing For Change, projeto multimídia que une músicos de todo o mundo, o cantor holandês Clarence Bekker se apresenta com sua banda. Ele deverá ser responsável pela inclusão de pitadas de reggae no evento.

Dois shows devem ter grande apelo popular. O cantor Zeca Baleiro mostrará as canções de seu repertório que se encaixam no blues. E um trio formado por Gui Cicarelli, Bruna Guerin e Sérgio Duarte fará show tributo ao guitarrista americano Stevie Ray Vaughan, morto aos 35 anos em 1990, no auge da fama.

O festival terá dois palcos de grande estrutura, próximos a igrejas da cidade.

O principal, Palco Matriz, receberá Kenny Barron no domingo. O outro fica em frente à igreja de Santa Rita. Por toda a cidade, shows de rua estarão espalhados desde o início das tardes.

Shows

Kenny Barron Trio

Jazz
até R$175

O pianista de jazz americano indicado 11 vezes ao Grammy faz apresentação única em São Paulo. Ao lado de Nilton Matta (baixo) e Rafael Barata (bateria), ele passa pelo disco


Bourbon Festival Paraty ​

Sexta (10.mai)

Palco Matriz
21h-Dawn Tyler Watson + Marcelo Naves & Tigerman
22h30 - Zeca Baleiro + Sérgio Duarte
h - DJ Crizz

Sábado (11.mai)

Palco Santa Rita
15h - John Wesley Duo
16h - Mani Padme Trio, com Yaniel Matos
17h30 - DJ Bebeto Trio

Palco Matriz
21h - Toninho Ferragutti, Edu Ribeiro & Fábio Peron
22h30 - Gui Cicarelli, Bruna Guerin & Sérgio Duarte
0h - Clarence Bekker Band
1h - DJ Crizz

Domingo (12.mai)

Palco Santa Rita
16h - Bebé Salvego
17h30 - Celso Pixinga, Faíska e Carlos Bala

Palco Matriz
21h - Kenny Barron + Nilson Matta & Rafael Barata
22h30 - Mark Lambert & Amanda Maria
0h - DJ Crizz

Programação em www.bourbonfestivalparaty.com.br

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