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Novela 'A Dona do Pedaço' terá mundo das celebridades virtuais e 'déjà-vu'

Trama que substitui a malfadada 'O Sétimo Guardião' a partir de 20 de maio

Paolla Oliveira na novela 'A Dona do Pedaço'
Paolla Oliveira na novela 'A Dona do Pedaço' - Raquel Cunha/Divulgação
São Paulo

Depois de gato que vira homem, mocinha sensitiva e fonte da juventude, a faixa das nove na Globo volta a temas que são praticamente cânone nas novelas —rixa entre famílias, amores impossíveis e parentes desaparecidos. 

“A Dona do Pedaço”, folhetim que substitui a malfadada “O Sétimo Guardião” a partir de 20 de maio, aposta no “déjà vu” para recuperar a audiência do horário, que caiu com a exibição da trama de Aguinaldo Silva. Tanto é que o seu enredo ficará a cargo de Walcyr Carrasco, especialista em alavancar ibope e, de certa forma, especialista em “déjà vu”.

“Gosto dos códigos clássicos, até porque já traduzi e adaptei vários romances clássicos”, diz o autor da próxima história. “Não é à toa que a primeira fase é fortemente influenciada por ‘Romeu e Julieta’.” Ele faz questão de ressaltar que ganhou um Jabuti por sua tradução da peça de Shakespeare, aliás.

Juliana Paes, a dona do pedaço do título, interpreta Maria da Paz, essa espécie de Julieta capixaba. Filha de justiceiros do interior do Espírito Santo, ela se apaixona por Amadeu (Marcos Palmeira), da família rival. Mas um atentado os separa e acirra a disputa entre os dois clãs rurais. 

Resta à mocinha se mandar para São Paulo. Mas não é tão simples explicar o que ocorre às suas sobrinhas (que no futuro serão vividas por Nathalia Dill e Paolla Oliveira). A primeira é sequestrada, acaba indo parar na porta de um convento e criada ali. A outra se perde da mãe, é adotada e vira a mais famosa influenciadora digital do Brasil. 

Já Maria da Paz se firma na capital e vira uma confeiteira de sucesso. Sua origem plebeia, porém, é motivo de horror para a rebenta mimada, uma das vilãs da trama, interpretada por Agatha Moreira, que quer virar célebre na rede. 

A hostilidade entre a filha soberba e a mãe batalhadora lembra outra dinâmica consagrada, a de Maria de Fátima (Glória Pires) e Raquel (Regina Duarte) em “Vale Tudo”.

Walcyr, que já sofreu acusações de plágio, diz que a coincidência não é homenagem. É que o tema é “forte no país”.

“Porque há grande dinamismo nas classes sociais”, crê. “Alguém que veio de baixo e subiu pode ter filha que busca códigos de uma classe social à qual sua mãe ou pai não pertencia. Isso causa choques.”

Semelhanças à parte, “A Dona do Pedaço” mostrará um mundo ainda não explorado nos folhetins, o das webcelebridades, mais atraente para o público jovem, segundo o autor, que quer revelar segredos  desse universo. “Em um momento, Jo (Agatha Moreira) comprará seguidores, o que é uma prática usual na internet, mas da qual não se fala.”

Nesse quesito, a dona do pedaço, ao menos na internet, é Vivi, papel de Paolla Oliveira.

A atriz define a personagem como uma típica blogueira de moda. “Fico impressionada com a forma como as influenciadoras digitais dedicam 100% da vida a isso”, diz ela.

Redes sociais já foram ferinas com ela —e justamente numa outra reunião da atriz com Walcyr, na novela “Amor à Vida”. Sua Paloma, a mocinha que tinha a filha raptada e abandonada pelo irmão, sofreu rejeição do público e ganhou apelido de Pamonha. 

“Todo personagem precisa de tempero. Como atriz, não fico feliz com essa inversão de valores”, diz, inconformada. “Que o bom caráter vença.”

Colega de elenco, Nathalia Dill corre menor risco de rejeição. É que a sua Fabiana será uma “vilã com todas as idiossincrasias”, segundo define.

Tendo passado a vida num convento, ela descobre, só adulta, o paradeiro da irmã, Vivi. E resolve se aproximar de forma incógnita para recuperar a vida que não teve.

“Ela cresceu sabendo que foi abandonada e sente uma falta”, diz a atriz, que conta ter se inspirado em moças dissimuladas do cinema, caso de Eve, de “A Malvada”, e Hedy, de “Mulher Solteira Procura”.

As atrizes do núcleo de influenciadoras digitais e aspirantes acham auspicioso que a faixa volte ao melodrama clássico após o escapismo fantasioso de “O Sétimo Guardião”. 

“Acho uma ótima escolha apostar em elementos tradicionais”, diz Agatha. Paolla crê que Walcyr é “um autor destemido” porque não tem medo de carregar nas cores fortes. “A vida é essa confusão, né?”

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