Aos 25, Maluma tem vida narrada em documentário do YouTube

'Lo que Era, lo que Soy, lo que Seré' faz parte da estratégia do YouTube para atingir o público latino

O cantor colombiano Maluma em foto do documentário "Lo Que Era, Lo Que Soy, Lo Que Seré", sobre a carreira dele
O cantor colombiano Maluma, astro do documentário 'Lo Que Era, Lo Que Soy, Lo Que Seré' - Divulgação
Lucas Brêda
Cidade do México

No último mês de fevereiro, o hit "Despacito" —do porto-riquenho Luis Fonsi em parceria com Daddy Yankee— estabeleceu um novo recorde no YouTube: tornou-se o primeiro vídeo da história do site a atingir a marca de 6 bilhões de acessos. Isso sem contar as quase 650 milhões de visualizações do remix com participação do canadense Justin Bieber.

Além das proporções inéditas, "Despacito" escancarou os caminhos da música latina nos Estados Unidos.

De lá para cá, Camila Cabello estourou cantando sobre suas raízes cubanas em "Havana", Cardi B chamou os colombianos J Balvin e Bad Bunny para o hit "I Like It" e até o sucesso da espanhola Rosalía pôde ser atrelado à maior receptividade dos americanos para as canções em língua espanhola.

Esse momento de evidência da música latina foi o caminho encontrado pelo YouTube para mudar sua estratégia no mercado de streaming.

Depois de dois modestos lançamentos no ramo da ficção, a plataforma criada pelo site de vídeos e batizada de Originals —dedicada à produção de séries e filmes inéditos— agora tenta atingir o público latino a partir da música.

No último dia 5, chegou ao YouTube o documentário "Lo que Era, lo que Soy, lo que Seré", sobre a curta, porém meteórica, carreira do colombiano Maluma. Nos primeiros dois dias, o filme acumulou 2 milhões de acessos.

Também é este o primeiro lançamento em língua espanhola do YouTube Originals a ficar disponível de maneira gratuita. Os antecessores, "Museo" (filme com Gael García Bernal) e "Sobreviví" (série com Sofía Niño de Rivera), ambos lançados em 2018, só podem ser vistos na íntegra por assinantes do YouTube Premium.

Devido ao desempenho fraco dessas primeiras produções, a empresa deixou de lado o streaming pago, ramo em que concorre com plataformas como a Netflix, para apostar no lucro com anúncios.

"Às vezes esperam um artista morrer para ele ter sua história contada. Senti que nunca seria muito cedo para contar a minha", diz Maluma, que tem 25 anos e falou à imprensa no evento de pré-estreia do filme, que ocorreu na última semana, na Cidade do México.

Apaixonado por futebol, o cantor enveredou para a música na adolescência, depois de ir a um festival de reggaeton e se encantar pelo ritmo.

Ele alcançou o sucesso mainstream na Colômbia e, graças a hits como "Chantaje" (parceria de 2016 com Shakira), ganhou espaço nos Estados Unidos. No documentário, Maluma aparece em apresentações com plateias abarrotadas, em lugares como o Madison Square Garden, em Nova York.

"Lo que Era, lo que Soy, lo que Seré", de certa forma, também serve para tentar humanizar o astro colombiano, que ainda é visto como uma banalidade pelos mais tradicionalistas. As palavras "trabalho" e "família", por exemplo, são repetidos à exaustão ao longo do filme.

"Tem essa história que minha mãe conta, de quando eu vendia misto quente na escola. Era o único jeito que a gente tinha de ganhar dinheiro", ele conta, sobre o que diz ter sido o período mais difícil da vida, após a separação dos pais.

Apesar de um gigante na América do Sul, Maluma ainda é um artista de proporções médias no Brasil —situação que, espera ele, talvez possa melhorar com a chegada do novo filme. Grande parte de sua fama por aqui deve-se à música "Sim ou Não", parceria com Anitta.

A cantora chegou a cortar relações com o colombiano, considerando que ela o ajudou mais no Brasil do que foi ajudada por ele na Colômbia. "Talvez ela ache que eu devia ter feito mais por sua carreira na América Latina, mas não queria que se sentisse assim. Acho que ela me ajudou muito no Brasil", afirma.

Apesar do desentendimento, Maluma garante que está tudo resolvido entre os dois. "Tivemos a oportunidade de conversar no Chile. Agora estamos em outra fase e trabalhando em algo que vocês saberão muito em breve."

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