Descrição de chapéu Cinema

Documentário sobre Eduardo Coutinho abre Festival de Curitiba

Obra é baseada em entrevista concedida dois anos antes da morte do maior documentarista brasileiro

Naief Haddad
São Paulo

O que eu faço, diz o diretor Eduardo Coutinho (1933-2014), é “quase ficção”.

Vindo do maior documentarista da história do cinema brasileiro, o comentário não é banal. Para justificar a sua opinião, Coutinho afirma que consegue obter apenas alguns instantes extraordinários do depoimento dos personagens.

Caso se alongue, insistindo em registrar a rotina dos personagens, a mágica se desfaz, conta o diretor em passagem do novo “Banquete Coutinho”.

Ao se restringir a esse encanto fugaz, o diretor é fiel à verdade do personagem?

Dirigido por Josafá Veloso, o filme sobre a obra e as ideias de Coutinho ganha primeira exibição pública nesta quarta (5) na abertura da oitava edição do Olhar de Cinema - Festival Internacional de Curitiba. 
Estreia de Veloso na direção, o documentário se baseia numa longa entrevista concedida por Coutinho em janeiro de 2012, dois anos antes da sua morte.

Nos primeiros minutos de conversa, impõe-se o diretor notadamente ranzinza. Mas Veloso sabe usar o vasto conhecimento a respeito dos filmes de Coutinho para conquistar o entrevistado.

O documentarista passa, então, a falar de autores que admira, como o ensaísta alemão Walter Benjamim, e a comentar a importância de alguns de seus filmes, como “Cabra Marcado para Morrer” (1984) e “Santo Forte” (1999).

Além de cenas de alguns de seus documentários consagrados, “Banquete Coutinho” exibe trechos de produções ficcionais pouco conhecidas, como “O Pacto”, episódio do longa “ABC do Amor” (1966), e o curta “Le Télephone”, rodado em 1959, quando Coutinho estava no curso de cinema no Idhec, em Paris.

A fricção entre documentário e ficção domina “Banquete”. Como diz Veloso, é um olhar para a obra do diretor à luz de “Jogo de Cena” (2007), filme de Coutinho que exacerba as reflexões sobre a representação.

Com mais de 130 filmes, o festival de Curitiba dedica uma mostra ao cineasta chileno Raúl Ruiz (1941-2011) e exibe os longas mais recentes de diretores brasileiros, como Júlio Bressane (“Sedução da Carne”) e Marcelo Gomes (“Estou me Guardando para Quando o Carnaval Chegar”).

Também será apresentado “A Mulher de Luz Própria”, em que Sinai Sganzerla faz homenagem a sua mãe, a atriz e diretora Helena Ignez.


Olhar de Cinema - Festival Internacional de Curitiba
De 5 a 13 de junho. “Banquete Coutinho”: qua, 5, às 20h30, nas salas 1, 2 e 3 do Espaço Itaú. Circuito: Shopping Crystal (Espaço Itaú de Cinema), Shopping Novo Batel (Cineplex Batel), Cine Passeio e Cinemateca de Curitiba. Ingr.: R$ 14. 
 

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