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Filha de Mauricio de Sousa e atriz de 'Laços' falam sobre o feminismo da Mônica

De diferentes gerações, elas avaliam evolução da personagem na estreia do primeiro filme da Turma da Mônica com atores

Retrato da atriz Giulia Benite e de  Mônica Sousa, filha de Mauricio de Sousa

Retrato da atriz Giulia Benite e de Mônica Sousa, filha de Mauricio de Sousa Eduardo Knapp/Folhapress

Leonardo Sanchez
São Paulo

​Baixinha e dentuça, sim, mas nada de chamar de gorducha. É assim, com um adjetivo a menos, que a Mônica dos gibis faz a sua estreia de carne e osso nos cinemas nesta quinta, com a chegada de “Turma da Mônica - Laços”, de Daniel Rezende, a 700 salas do país.

“É a evolução dos tempos”, diz Mônica Sousa, 58, a filha de Mauricio de Sousa que inspirou a criação da personagem, surgida nas páginas deste jornal em 1963. Às vésperas da estreia de “Laços”, a hoje diretora-executiva da Mauricio de Sousa Produções se encontrou com a atriz Giulia Benite, 11, que interpreta Mônica no filme, para conversar sobre as mudanças que a obra sofreu ao longo dos anos.

Num enorme playground montado dentro do estúdio do pai, a Mônica real conta que, da década de 1960 para cá, muita coisa mudou nos quadrinhos —e isso, agora, é refletido no filme.

“Laços” é o primeiro longa com atores inspirado nos personagens de Mauricio de Sousa, fruto de uma adaptação da HQ homônima dos irmãos Lu e Vitor Cafaggi.

A versão foi lançada em 2013 como parte da série Graphic MSP, na qual artistas de diferentes estilos recriam as histórias dos personagens. Nela, acompanhamos Mônica, Cascão e Magali ajudando Cebolinha a encontrar Floquinho, seu cachorro verde que desapareceu misteriosamente.

Para levar a trama ao cinema, adaptações foram feitas em relação ao gibi. O coelho de pelúcia Sansão ganhou novo visual, os pais do quarteto se tornaram mais presentes e Mônica já não é mais chamada de “golducha” por Cebolinha.

“Antes a Mônica era muito mais brava, e o Cebolinha a irritava mais, usando algumas características contra ela, de uma maneira que a inibia”, diz Mônica Sousa. “Nós fizemos adaptações para acompanhar a evolução dos tempos, pensando no que é melhor.”

Algo que Mauricio de Sousa faz desde o início —o cartunista é conhecido por captar certas mudanças e levar isso às histórias. O próprio nascimento da Mônica nos gibis foi resultado de um maior protagonismo das mulheres nos anos 1960. A companheira de Sansão foi a primeira personagem feminina de Mauricio de Sousa, que já havia criado Franjinha, Astronauta, Bidu e outros personagens masculinos.

“Meu pai era muito cobrado”, diz Mônica sobre a ausência de garotas nas histórias. Foi então que o cartunista tomou as três filhas como inspiração para inventar Mônica, Magali e Maria Cebolinha.

“Depois, as leitoras começaram a pedir mais protagonismo da Mônica, porque, de alguma maneira, elas se sentiam empoderadas ao ver uma menina mandando em um grupo de meninos.”

Se na infância de Mônica Sousa ainda era raro ver personagens femininas fortes, Giulia Benite afirma que se vê inserida em discussões sobre igualdade de gênero desde que nasceu. “Às vezes eu me sinto empoderada até demais”, brinca a atriz.

“Mas é melhor assim, porque muitas meninas pensam que elas são menos que os meninos, e elas não são”, responde a diretora-executiva da MSP.

Sem qualquer experiência anterior no cinema, televisão ou teatro, Benite foi escolhida para o papel após um longo processo seletivo com cerca de 7.000 crianças.

Fã dos gibis, ela conta que a obra de Mauricio de Sousa sempre a inspirou. “Todo mundo se identifica com algum personagem. Lá em casa minha irmã é a Magali —e eu sou a Mônica, óbvio”, diz.

Em “Laços”, ela compartilha a tela com Kevin Vechiatto, Laura Rauseo e Gabriel Moreira, respectivamente Cebolinha, Magali e Cascão. Com exceção do primeiro, que já atuou em novelas, todos são novatos.

Eles ficaram sabendo que haviam sido escalados para o elenco pela própria Mônica e seu pai, Mauricio de Sousa.

“Quando a gente olhou para vocês quatro, nós vimos ali a Turma da Mônica, e foi muito emocionante”, diz ela à atriz.

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