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Zélia Duncan interrompe hiato de dez anos sem inéditas com 'Tudo é Um'

Espécie de folk brasileiro marca retorno da cantora ao repertório autoral

Zélia Duncan, que lança o álbum ‘Tudo É Um’ - Reprodução
Thales de Menezes

Tudo É Um

  • Preço R$ 25 (CD) e nas plataformas digitais
  • Gravadora Biscoito Fino
  • Artista Zélia Duncan

"Tudo É Um", novo álbum de Zélia Duncan, chega dez anos depois de "Pelo Sabor do Gesto". Nesse intervalo, foram tantos projetos que quase não deu para perceber a ausência de um álbum autoral.

Entre outros trabalhos, ela lançou um disco com músicas de Itamar Assumpção, "Tudo Esclarecido" (2012), uma reunião de sambas, "Antes do Mundo Acabar" (2015), e um álbum em parceria com o contrabaixista Jaques Morelembaum, "Invento +" (2017), com repertório de Milton Nascimento.

Ainda teve tempo de fazer uma turnê interpretando músicas de Luiz Tatit, depois registrada no DVD "Totatiando". Sem exagero, um dos melhores shows de música brasileira desta década.

A volta de Zélia ao repertório autoral tem alguns ecos de seus primeiros discos, nos anos 1990. Na falta de definição mais particular, dá para classificar como alguma coisa perto de um folk brasileiro. Uma valorização do formato canção, de uma estrutura musical enxuta para ancorar letras poderosas.

Não é sem propósito que o resgate sonoro venha acompanhado da retomada com parceiros que já criaram ótimo material com Zélia, como Moska, Zeca Baleiro, Chico César e Christiaan Oyens, este dividindo com a cantora a direção do trabalho.

Algumas faixas servem como cartilha para construir uma boa canção pop. Pode ser uma melodia direta, como "Só Para Lembrar", parceria com Dani Black. Ou então uma textura musical mais densa, como "Tudo É Um", dela e de Chico César, que tem um solo do músico Zé Nogueira tocando duduk, um antigo instrumento armênio.

São duas escritas com Zeca Baleiro: "Me Faz uma Surpresa", com precioso arranjo de metais, e "Medusa", com alguma safadeza na letra e pegada balançada. Zeca canta com ela, assim como Moska faz em "Feliz Caminhar", balada animada, pra cima. Com Christiaan Oyens, há "Canção de Amigo" e "Olhos Perfeitos", com sonoridade "jazzy".

"Eu Vou Seguir" tem um arranjo que ganha corpo até finalizar com certa pompa. Faz parte de uma fatia do disco um pouco mais ambiciosa, de música mais complexa, junto com "Sempre os Mesmos Erros", parceria com Fred Martins, e "O Que Mereço", do pernambucano Juliano Holanda, única faixa que Zélia não assina.

A música que completa o disco é "Breve Canção de Sonho", escrita com Dimitri BR e gravada para a trilha da novela "Cheias de Charme", em 2012. Aqui, retorna mais pesada e combina com um repertório para trazer de volta a Zélia Duncan cantautora.

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