Anitta e Madonna levaram minha música para o mundo, diz autora de 'Faz Gostoso'

A artista luso-brasileira Blaya ganhou fãs no Brasil e toca no Rock in Rio em setembro

Giuliana Miranda
Lisboa

Bem antes de virar sucesso internacional na voz de Madonna e Anitta, o funk “Faz Gostoso” —uma das faixas do novo álbum da americana— já colocava os portugueses para dançar. A música tem DNA luso-brasileiro: é obra da cantora Blaya, que nasceu em Fortaleza, mas vive desde os dois meses de idade em Portugal. 

Um dos principais nomes do pop dançante em Portugal, Blaya, 32, investe na combinação de músicas animadas e rebolado frenético. Suas letras normalmente retratam mulheres empoderadas, cheias de autoconfiança e explicitamente no controle de sua sexualidade. Uma mistura que não é tão comum em Portugal.

“Sempre tem de haver alguém um pouco mais fora da caixa. Eu acho que a população portuguesa já está um bocado habituada a esse meu lado. Cada um é livre para fazer o que quiser. Nas minhas músicas também, cada um é livre de ser quem quiser. É uma questão de hábito. Nós temos de habituar os portugueses a esse pensamento”, diz ela, que ostenta um forte sotaque lusitano. 

Apesar de ter conhecido Madonna durante uma festa em Lisboa —a cantora americana vive na cidade há quase dois anos, acompanhando o filho que joga futebol num clube local—, Blaya diz que não chegou a conversar com ela. 

“Só estive uma vez com a Madonna e foi muito antes de ela gravar 'Faz Gostoso'. Foi numa festa que ela estava. Eu cantei, dancei, mas nunca chegamos a falar”, relata. 

O processo de negociação para o uso da canção foi feito através de um produtor.

“Ele entrou em contato comigo e disse-me que a Madonna queria fazer uma regravação da minha música. E pronto, a partir daí as coisas demoraram um pouco. Como é uma regravação eles tentaram fazer ali uma coisa nova, fresh, mas ao mesmo tempo deixando ficar a essência do original”, diz.

O resultado final agradou Blaya, que diz que a mensagem principal da canção foi mantida. A cantora também diz não ter ficado chateada por não ter participado da regravação. 

“Minha música está a ser cantada por duas artistas muito internacionais, que conseguem chegar a até mais pessoas do que eu. Por isso, eu me sinto muito bem por elas duas pegarem a minha música e a levarem para o mundo inteiro”, avalia.

Embora a música faça parte de “Madame X”, o novo álbum de Madonna, é dos fãs de Anitta que Blaya diz ter recebido mais retorno até agora.

“Muitos brasileiros têm vindo falar comigo nas minhas redes sociais. Aqui a questão eu acho que é mais de fãs da Anitta do que fãs da Madonna”, diverte-se.

Antes do dueto com Madonna, a cantora carioca já havia incluído um trecho de “Faz Gostoso” em sua apresentação no Rock in Rio Lisboa, em julho de 2018, quando as duas se conheceram pessoalmente. Blaya também fez uma apresentação solo na mesma edição do Rock in Rio lusitano.

Oficialmente batizada de Karla Rodrigues, ela adotou o nome artístico Blaya ainda no início da carreira. A rota para o sucesso começou quando foi selecionada para ser dançaria da banda Buraka Som Sistema em 2008. Não demorou muito para que ela também colaborasse nos vocais

Sucesso de crítica e público, o Buraka Som Sistema tem fortes elementos da música africana, sobretudo do kuduro. Com a banda, Blaya se apresentou em festivais como o Coachella, Haunted Mansion e Bowerry Ballroom.

Com o grupo em hiato desde 2016, Blaya partiu de vez para a carreira solo, em que ela começou a se aventurar em 2013, com seu primeiro EP. 

Além de cantar e dançar, Blaya também se arrisca como escritora. Em 2018, lançou o livro “Mulheres, Sexo e Manias”, uma coletânea de contos eróticos e dicas de sexo voltadas para o público feminino. 

Declaradamente eclética, a artista navegou por vários estilos musicais, do rap ao pop, antes de apostar no funk. De olho no mercado do outro lado do Atlântico, Blaya passou a investir também nas músicas com sotaque brasileiro, o que surpreendeu no início seus fãs portugueses: muitos não sabiam das origens familiares da cantora. 

Lançada em março de 2018, a agora internacionalmente famosa “Faz Gostoso” foi a primeira da safra “abrasileirada”. Em algumas faixas, como “Má Vida”, ela mescla ambas as maneiras de falar. 

Apesar da familiaridade com o sotaque do Brasil, falado em casa por seus pais, ela confessa que tem de praticar bastante até conseguir ficar à vontade.

“Claro que eu me sinto mais confortável com o português de Portugal. Eu até tento falar fluente com sotaque brasileiro, mas ainda me enrolo. Com as músicas é mais fácil, porque eu acabo por cantá-las muitas e muitas vezes. É um sotaque brasileiro, mas com um toque português”, diz. 

“Eu acho que a música é  universal, e basicamente o que interessa é o instrumental e a vibe. A música, seja em português de Portugal ou português do Brasil, desde que o ritmo seja bom, as pessoas acabam por gostar. Mas aqui o funk está muito na moda, então puxa mais as pessoas. Por que o sotaque brasileiro é mais dançável”, compara.

Sem revelar nomes, Blaya diz que está preparando uma parceria com um nome bem conhecido da música brasileira, além de shows pelo país.

“O meu sangue é brasileiro, mas os meus costumes já são bem portugueses. Minha maneira de pensar e reagir às coisas é mais portuguesa, mas o meu suingue, o meu gingado, aí já é tudo brasileiro”, diz.

A artista se apresenta nesta edição do Rock in Rio em 27 de setembro, dividindo o palco com a funkeira brasileira Lellê.

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