Descrição de chapéu Artes Cênicas

Cultura no Brasil está sob ataque, diz Pedro Cardoso, que encena peças em SP

Ator está à frente de sete espetáculos na companhia da mulher, Graziella Moretto, até outubro

Teté Ribeiro
São Paulo

​Pedro Cardoso e sua mulher, Graziella Moretto, chegam ao teatro de um shopping da zona sul paulistana com os planos de fazer nada menos que sete espetáculos e um workshop

Eles andam preocupados com a situação da política atual, que acompanham de Lisboa, onde moram há quatro anos. Aproveitaram as férias dos dois filhos, de 15 e dez anos, para vir a São Paulo.

“O Homem Primitivo”, que a dupla já encenou em 2015, é o carro-chefe da temporada, que estreou no início do mês e deve durar até outubro. 

“O assunto é perene, a opressão do masculino sobre o feminino, e vai percorrendo o tempo sem perder a atualidade”, diz Cardoso, em entrevista na coxia. Moretto emenda: “Muita coisa mudou, teve a Marcha das Vadias, o termo ‘lugar de fala’, o feminismo renasceu. É tudo mais real”.

Além dessa, eles apresentam o infantil “Nem Sim Nem Não” e os adultos “Os Ignorantes” e “À Sombra do 
Outro”, mais três versões de uma atração toda improvisada batizada de “Uãnuêi” —“A Festa”, “Match” e “Profissões”, que não têm texto e são compostas por dois segmentos de meia hora cada um, em que a plateia dá o tema. 

“Improviso é como um jogo de futebol: nem todas as jogadas terminam em gol, mas você assiste e é bonito”, diz ele.

Todo esse projeto teatral foi montado sem patrocínio. “A Porto Seguro dá um aporte de R$ 50 mil para a divulgação, dinheiro da empresa mesmo. E só”. Eles também fazem um workshop de improviso para não atores. “É divertido, serve como uma ferramenta de autoconhecimento”, afirma ela.

“É uma resistência”, diz Cardoso. “Há um ataque forte contra a cultura por uma parte da população que se embrulha na bandeira e tenta transformar o Brasil na ideia que elas têm do Brasil”, acredita. 

“O que aconteceu foi que um grupo de classe média que se sentia excluído se agregou a um fundamentalismo religioso para obter uma ascensão social”, diz. “E eles não toleram quem pensa diferente. Isso é fascismo.”

Fora as peças, Cardoso lança o livro “PedroCardosoEuMesmo” em agosto, no qual pega emprestado o título de sua conta no Instagram. Ele teve uma relação intensa com a rede social, em que postava pensamentos políticos sobre o Brasil e a Europa. Foi ativo durante dois anos e meio.

“O livro conta como vivi aquilo, de uma inabilidade absoluta, passando por uma tentativa de fazer uma crônica política, até a decepção com a capacidade de conversar”, diz. “As redes sociais são como praças de drogados”, declara. “É perigoso para a democracia que acreditem que ali as coisas acontecem de fato.”

O eterno Agostinho, da série “A Grande Família”, reprisada na Globo, sempre foi um ator mais interessante do que o personagem. Agora, dá para comprovar de vários jeitos.

Tópicos relacionados

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.