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'Em momento de crise, precisamos encontrar saídas', diz Goldenberg

Mesa Ser Feliz ou Ter Razão discute sobre os caminhos para alcançar a felicidade

Paraty (RJ)

Em tempos de redes sociais, quando tem mais valor quem parece ser mais feliz, parece urgente debater métodos para se atingir a plenitude emocional. O objetivo da mesa Ser Feliz ou Ter Razão, realizada neste sábado (13), às 15h, na Casa Folha, não era originalmente este, de desvendar o segredo da felicidade, mas acabou levantando conclusões interessantes para aqueles que estão nesta busca.

Mediado pela jornalista Teté Ribero, o debate reuniu a atriz e escritora Bruna Lombardi e Mirian Goldenberg, antropóloga e colunista da Folha. Na abertura, ambas convidadas foram interpeladas pela questão que dava nome ao encontro.

Mesa "Ser Feliz ou ter razão?" teve presença de Mirian Goldenberg, Bruna Lombardi e mediação de Teté Ribeiro
Mesa 'Ser Feliz ou Ter Razão? teve presença de Mirian Goldenberg, Bruna Lombardi e mediação de Teté Ribeiro - Mathilde Missioneiro/Folhapress

“Nas minhas pesquisas descobri que é necessário, sim, falar de felicidade, mesmo com tanta merda acontecendo”, respondeu Goldenberg. “A gente não precisa ter razão, mas precisa, sim, encontrar, mesmo em um momento de tantas crises, as saídas e os caminhos.”

“É engraçado, como se ser feliz não fosse uma boa razão”, pontuou Lombardi. “A razão tem a premissa de ser factual. Todos os fatos têm por trás de si uma interpretação. Tem tantas variações para um fato. A gente tem que desconfiar de tudo que nos falam como sendo um fato, especialmente em uma época de tanta fake news. Temos que estar muito alertas para tudo que nos dizem.”

Goldenberg, que acaba de lançar “Liberdade, Felicidade e Foda-se”, pela editora Planeta, contou sua trajetória de pesquisadora a respeito do tema. Da leitura de Simone de Beauvoir na adolescência à tese de doutorado sobre Leila Diniz, a antropóloga diz que ambas a ensinaram “que dá para ser livre e feliz”.

Mencionou, por exemplo, suas descobertas nesse processo acerca da “curva da felicidade”, que aponta que as pessoas –essencialmente as do sexo feminino– são menos felizes entre os 40 e 50 anos, por fatores diversos que vão desde os padrões estéticos até a pressão pelos cuidados com a família.

“A Simone de Beauvoir, na época dela, o chique era ser infeliz. Todo mundo, mesmo que tivesse vida feliz, tinha que fingir que era infeliz”, lembrou Lombardi, que também falou sobre sua trajetória como escritora desde a infância.

“Meu primeiro cheque de pagamento veio de poesias. Eu tinha um instinto de observar as pessoas, sou apaixonada por elas. Como autora, eu tinha que me colocar no lugar do outro. Aí comecei a me deparar muito cedo com a infelicidade, e aquilo foi me tocando. Me despertou compaixão”, contou.

Sempre muito aplaudida pelo público, Lombardi falou sobre como há quem chegue a morrer ao defender seus valores com base “no ego e em uma sensação de poder”. “Até uma discussão de bar dá morte. As pessoas morrem por um carro que encostou no outro, se matam por razões que parecem absolutamente importantes naquele momento”, disse.

Para ela, a felicidade genuína é capital exclusivo das crianças, que ainda não sofreram a repressão social. “O entusiasmo é uma chama que não pode acabar dentro de nós. Nós somos ansiosos porque não estamos acreditando no momento que estamos vivendo. A gente vive uma realidade hostil, inseguranças, incertezas, dúvidas, julgamentos. A gente buscar ser feliz é o grande antídoto contra qualquer veneno com o qual queiram nos envenenar”, falou.  

Ao serem questionadas por Teté Ribeiro se consideravam seu gênero como “autoajuda”, Goldenberg respondeu: “Já vi um livro meu numa loja de produtos pornográficos, estava do lado de um vibrador. Não tenho a menor ideia de como classificar meus livros. Não estou preocupada com isso".

Para ela, há quatro grandes segredos na busca pela felicidade: valorizar o tempo, fazer uma faxina existencial e não gastar mais tempo com “vampiros emocionais”, rir e brincar mais e se aproximar dos amigos. “Isso, fora o ‘botão do foda-se’. Foda-se se os outros vão achar que sou uma velha metida porque gosto de minissaia, ou que sou baranga porque uso biquíni ou namoro alguém mais novo”, completou.

“O erro está em achar que a felicidade está na aceitação do outro, na sua posição social, na aparência. A gente está sempre adiando a felicidade. E a felicidade não significa não ter momentos de tristeza melancolia e solidão, porque eles são saudáveis. Pegue o momento de dor e compreenda aquilo”, falou Lombardi.

Para ela, as mulheres buscam mais a felicidade que os homens. “Por isso as sociedades repressoras e retrógradas têm medo das mulheres, porque elas são a força da mudança. Não é que o homem não seja libertário, mas ele tem o pensamento mais linha reta. Você tem a liberdade de escolha, de ser quem você é. Essa é a grande fórmula da felicidade."

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