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Cinema

Filme de Diane Keaton comete pecado mortal da comédia: não tem graça

Para ver na TV, numa tarde chuvosa e ociosa, até passa; sair de casa e pagar ingresso pode ser além da conta

As Rainhas da Torcida

  • Elenco Diane Keaton, Jacki Weaver, Pam Grier
  • Produção EUA, 2019
  • Direção Zara Hayes


A atriz Diane Keaton é uma das produtoras do filme "As Rainhas da Torcida". Como muitas veteranas em Hollywood, enfrenta a escassez de bons personagens escritos para atrizes maduras em filmes de apelo comercial. Então, trata de fazer por sua própria conta um veículo para seu trabalho.

Para isso, reuniu um elenco de atrizes tarimbadas, como Rhea Perlman, conhecida dos filmes com o marido, Danny DeVito, e Pam Grier, a "Jackie Brown" de Quentin Tarantino. Para comandar o set, Zara Hayes, que após uma sólida carreira de documentários dirige seu primeiro longa de ficção.

A história, com outras roupagens, já é muito manjada. Uma equipe de indivíduos desajustados é formada para enfrentar times muito mais qualificados, e, por serem gente boa de coração, ganham o apoio do espectador em busca de uma improvável conquista. Filmes de esporte usam e abusam da fórmula.

 

Aqui, Diane Keaton é Martha, uma nova-iorquina solteirona que se muda para um condomínio de luxo para aposentados. Logo de cara, odeia o lugar e os vizinhos da melhor idade que pensam em golfe, baralho, chás e reuniões de clubinhos. Tenta se isolar, mas não escapa de uma socialização forçada.

Então ela se aproxima de Sheryl, vizinha que adora jogar cartas e namorar. Martha resolve dar uma chance ao lugar e seus moradores. Para se motivar, pensa num desejo frustrado da juventude e tem a ideia de formar um time de cheerleaders para competir num concurso de animadoras de torcida. Suas adversárias serão adolescentes em plena forma, com coreografias acrobáticas, enquanto a turma reunida por Martha precisa lidar com falta de confiança e excesso de dores nas juntas.

Todos os desdobramentos do roteiro são óbvios, qualquer um que assista já prevê as cenas seguintes. Mas isso nem seria tão problemático se as simpáticas integrantes do time tivessem algo melhor para interpretar.

Porque "As Rainhas da Torcida" comete o pecado mortal da comédia: não tem graça. As piadas são rasas, o ritmo é lento. Para piorar, há momentos de desequilíbrio na trama, porque existe um componente dramático. Martha está morrendo de câncer, e esconde isso das novas amigas. Esse mistura de humor e drama nunca é bem resolvida.

Aos 73 anos, Diane Keaton continua uma atriz adorável, mas é preciso reconhecer que o resultado não agrada. Para ver na TV, numa tarde chuvosa e ociosa, até passa. Sair de casa e pagar ingresso para assistir "As Rainhas da Torcida" pode ser além da conta.

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