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Netflix brasileira tem 30% menos filmes e séries do que nos Estados Unidos

A biblioteca tupiniquim é menor também que a de países como Hungria, Lituânia e Tailândia

Daren Braithwaite
São Paulo

​​Você usa Netflix e já ouviu falar que alguns títulos estão na plataforma apenas em outros países? Essa carência parece não ser mesmo desprezível: a versão brasileira da empresa de streaming tem 30% menos filmes e séries do que nos Estados Unidos. 

A biblioteca brasileira é menor também que a de países como Hungria, Lituânia e Tailândia, indica levantamento feito pela Folha. Entre 33 países analisados, o Brasil tem o 22ª maior catálogo.

É semelhante, porém, ao da Argentina e do México. E até maior do que de alguns países desenvolvidos, como Alemanha e Espanha.

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Netflix brasileira tem 30% menos filmes e séries do que nos Estados Unidos - Divulgação/Netflix

Não são públicos os critérios exatos que a empresa usa para definir o menu para cada país. Analistas da área afirmam que eles incluem o número de assinantes da Netflix no país, que determina a importância daquele mercado para a plataforma, e a existência de contratos anteriores. 

Afinal, explica Tomas Gennari, CEO da consultoria especializada em mídia e telecomunicações Business Bureau, o processo de internacionalização das plataformas on-demand ainda é muito recente.

Como a prática consolidada era de negociação de títulos país a país ou região é região, é difícil conseguir fechar acordos a nível global.

Na prática, continua Gennari, isso só acontece com produções originais. O nicho tem sido um dos maiores focos de investimento da Netflix, inclusive no Brasil. Em abril deste ano, no evento Rio2C, no Rio de Janeiro, a empresa anunciou que lançaria 30 produções nacionais até 2020.

Outro fator determinante para a diferença entre os catálogos nacionais é a migração iminente de alguns títulos para novas plataformas on-demand. À época da coleta de dados para esta reportagem, por exemplo, a versão brasileira não oferecia “Pantera Negra”, “Moana” e “The Office”, que estavam disponíveis em outros países.

Os dois primeiros devem ir para o Disney+, da Disney, com lançamento previsto para 12 de novembro nos Estados Unidos. Já o segundo foi adquirido pela NBCUniversal e só permanece no catálogo da Netflix até o final de 2020.

Por outro lado, alguns títulos estavam disponíveis no Brasil, mas não em outros países com bibliotecas até maiores, casos de “Lost”, “Zootopia” e “Malévola”.

Em termos qualitativos, há pouca variação entre os catálogos dos países. A melhor é o dos EUA, onde 10,7% dos títulos têm aprovação superior a 80% no site especializado IMDb; a pior entre os países analisados é a de Portugal, com 8,4% das obras nessa alta faixa de avaliação. 

O Brasil tem 9%, que é a média dos 33 países com dados disponíveis. Os dados foram coletados da plataforma unogs.com.

Em todo o mundo, há disputa pelo licenciamento e produção das obras pelas empresas de streaming. Os principais competidores do Netflix no Brasil são Telecine Play, HBO Go e Amazon Prime —que ainda são menores que a gigante americana.

Somente em 2018, o Netflix gastou US$ 12 bilhões em conteúdo, segundo seu relatório financeiro. Para se ter uma ideia do mercado, a empresa gastou US$ 100 milhões apenas para manter, por um ano, a série “Friends”.

A posição de destaque do Netflix no mercado, porém, está ameaçada. Suas ações tiveram forte queda neste mês, após divulgada a informação de que havia perdido 130 mil assinantes nos Estados Unidos (onde ainda tem mais de 60 milhões de clientes).

Executivos do Netflix reconheceram que o resultado ruim neste ano tem como uma das causas conteúdo insuficiente oferecido no período.

Colaborou Clara Balbi

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