'Tenho que sentir o que quero tocar', diz o músico e guitarrista Robert Cray

Americano está em turnê brasileira e faz show gratuito em São Paulo e Brasília

São Paulo

Aos 65 anos, o americano Robert Cray está deixando de ser lembrado como um ótimo guitarrista que já tocou ao lado de lendas do blues para merecer sua própria inclusão na galeria dos maiores do gênero.

Conversar com o músico, que começa uma série de quatro apresentações no país com um show gratuito neste sábado (27), em São Paulo, é perceber que ele parece tranquilo, passando a sensação de quem não tem mais nada para provar.

"O repertório dos shows? Eu mudo diariamente. Sei que tenho algumas canções muito populares, como 'Smoking Gun' e 'Nothin' But a Woman', gosto de tocá-las. Mas, antes de me preocupar com o que o público quer ouvir, tenho de sentir o que quero tocar."

Cray pode resgatar qualquer faixa de seus 22 discos, que renderam cinco prêmios Grammy. Com sorte, o público poderá ouvir alguma coisa do fantástico "Robert Cray & Hi Thythm", álbum que gravou há dois anos com a Hi Rhythm Section, banda de apoio que gravou discos clássicos do soul com Al Green, Otis Clay e Ann Peebles.

As grandes parcerias marcam a carreira de Cray, que tocou com ídolos como Buddy Guy, John Lee Hooker e B.B. King. Seus fãs mais roqueiros admiram muito seus vários trabalhos com Eric Clapton, mas para os puristas do blues seu álbum mais marcante talvez seja "Showdown!", que ele gravou em 1985 com Albert Collins e Johnny Copeland.

"Eu deixo as coisas andarem, sem correr atrás. Esses encontros aparecem. Um bom exemplo é esse disco com Hi Rhythm. Foi uma oportunidade incrível de tocar com caras lendários. Poderia ter feito isso antes, mas não faço planos para essas parcerias."

Para Cray, tocar com os melhores instrumentistas não é um desafio especial. "Nas parcerias, o nível técnico entre os músicos não precisa ser equivalente. Música não é uma competição. Eu não toco guitarra todos os dias, não tenho essa obsessão em tocar cada vez melhor. Às vezes tenho que me afastar por uns dias. Acho que talvez essa prática diária na verdade esteja na minha cabeça, em tudo que eu escuto."

A Robert Cray Band é um quarteto. Ele é acompanhado pelo baixista Richard Cousins, o baterista Terrence Clark e o tecladista Dover Weinberg. O grupo passou um tempo no estúdio no mês passado, preparando um novo álbum que Cray pretende lançar no final do ano. No mercado atual, de singles digitais, ele se diz "antiquado".

"Gravar álbuns sempre pareceu o caminho natural para mim. Eles são o registro das canções que me acompanham a cada fase da vida. Entendo quem lança um single e fica ansioso para ver quanto vai vender, quantas pessoas vão acessar, mas eu acho que não sou esse tipo de artista."

A turnê brasileira tem dois shows que fazem parte do 5º Festival BB Seguros de Blues e Jazz: sábado, no Parque Villa-Lobos, e no dia 3 de agosto, no Parque da Cidade, em Brasília, ambos gratuitos e ao ar livre. No intervalo entre eles, Cray toca em Belo Horizonte (Palácio das Artes, 31/7) e Rio (Vivo Rio, 2/8).

Ele acha desafiador tocar ao ar livre. "Você tem maior controle sobre o som quando toca em pequenos clubes. Quando é um show grande, em lugares abertos, a energia pode ser fantástica, mas o maior desafio é equilibrar as canções, as mais agitadas e as mais tranquilas, sem fazer a atenção dispersar."

O BB Seguros de Blues e Jazz tem atrações desde as 11h do sábado, em São Paulo. Cray deve fechar a programação às 17h30, mas antes há outro show obrigatório para fãs de grandes guitarristas. Às 16h10, o mutante Sérgio Dias convida Luiz Carlini, ex-Tutti Frutti. Dois heróis brasileiros do instrumento.

Robert Cray - 5º Festival BB Seguros de Jazz e Blues

  • Quando Sábado, às 17h30. Grátis. O festival começa às 11h
  • Onde Parque Villa-Lobos, av. Prof. Fonseca Rodrigues, 2001
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