Descrição de chapéu

Vozeirão de Maria Bethânia ainda é uma força da natureza

Cantora lota a plateia do Credicard Hall com show de músicas inéditas e velhos hits

São Paulo

Maria Bethânia em São Paulo - show 'Claros Breus'

  • Quando Sab.: 22h às 0h. Sex.: 22h às 0h.
  • Onde Credicard Hall - Avenida das Nações Unidas, 17955 - Vila Almeida - São Paulo/SP
  • Preço R$ 100 até R$ 560

Maria Bethânia pode cantar o que bem quiser. As pessoas vão lotar a plateia diante de qualquer repertório para ouvir o vozeirão que continua uma força da natureza. Fazer um show de grandes sucessos seria jogo ganho, mas o que se viu e ouviu na sexta (2), no Credicard Hall paulistano, foi bem mais desafiador.

Aos 73 anos, a cantora se mostra inquieta. A partir de uma série de shows que fez no Rio recentemente, numa casa pequena para uma centena de pessoas, criou um novo espetáculo para rodar o país. Um apanhado de músicas totalmente inéditas, e algumas que ela nunca havia cantado antes, é reforçado por meia dúzia de hits. Em pouco mais de uma hora e meia, o público se encanta com novos e poderosos versos, de autores como Adriana Calcanhotto ou Chico César, e vibra com "Brincar de Viver", "Purificar o Subaé" e outras canções que atiçam a memória afetiva de todos.

Em um cenário belo, simples e vermelho, no show que tem direção de Bia Lessa, Bethânia entra em cena de roupa prateada. Concentrado no centro do palco, um quinteto de respeito: Marcelo Galter (piano), Carlinhos Sete Cordas (violão), Jorge Helder (contrabaixo), Pretinho da Serrinha e Luisinho do Jejê (os dois na percussão).

Ela começa o desfile de sete canções, dessas novas incorporadas a seu repertório. Depois de receber a estrela com empolgação, os fãs se retraem um pouco. Como Bethânia ainda não gravou disco com esse material, o público fica quieto, absorvendo cada verso desconhecido.

Aos poucos, ela vai inserindo músicas adoradas pela plateia. No final da primeira parte do show, dispara uma versão belíssima de "Sampa". Antes de apresentá-la, conversa um pouco com o público, lembrando os tempos em que cantava na noite, e destaca aqueles que, como o irmão Caetano, são nordestinos que se empolgaram com São Paulo. Os fãs enlouquecem.

Algo que talvez pudesse ser repensado na turnê é o extenso número instrumental que os músicos tocam enquanto Bethânia sai do palco antes de voltar com uma roupa vermelha. É evidente uma certa impaciência dos fãs com a demora para o retorno da cantora.

Mas tudo fica perdoado porque é nesse momento que Bethânia faz uma gentil concessão a seus seguidores e emenda antigos sucessos. "Sonho Impossível", "Grito de Alerta", "Olhos nos Olhos", "Brincar de Viver" e outras que fazem parte da trilha sonora da vida de muita gente vão descontraindo a plateia e também a cantora.

Assim fica mais fácil apreciar a força de novos prováveis sucessos como "Luminosidade" e "Águia Nordestina", duas inéditas de Chico César, sacudir o corpo com "Histórias para Ninar Gente Grande", último samba enredo da Mangueira, ou achar graça quanto ela troca "sertaneja" por "nordestina" ao cantar "Caipira de Fato", de Inezita Barroso. O verso fica assim: "Sou nordestina, não nego e faço gosto".

Depois de cantar por tanto tempo "É o Amor", de Zezé Di Camargo, não causa espanto ela adicionar a seu cancioneiro o sucesso sertanejo quase trintão de Chitãozinho & Xororó, "Evidências". O Credicard Hall canta junto. Entre novidades e favoritas antigas do público, fica para todos a sensação de ter vivido um encontro muito especial. Tem gente chorando de emoção na saída. Ouvir Bethânia é algo transcendental.

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