Apesar de novos trailers, cinema perde espaço em convenção da Disney

Convenção exibiu trechos de 'Star Wars' e 'Viuvá Negra', mas não empolgou

Rodrigo Salem
Los Angeles

Depois de anunciar dezenas de séries e programas para o seu novo serviço de streaming, a Disney abriu o segundo dia da D23 Expo, maior convenção temática da empresa no mundo, com uma sensação de freio de mão puxado. Neste sábado (24), foi a vez de o estúdio apresentar sua lista de filmes para os cinemas, mas a seleção perdeu muito o brilho em comparação com o dia anterior.

A festa comandada por Alan Horn, presidente dos estúdios Disney, começou de maneira meio esquizofrênica. O executivo falou da aquisição da Fox, citou os filmes “Ford vs. Ferrari”, “King’s Man: A Origem”, “Um Espião Animal” e “Avatar”, mas disse que não falaria sobre os lançamentos.

Emendou com “Star Wars: A Ascensão Skywalker”, aproveitando a conexão da saga com o estúdio que lançou a trilogia original em 1977. “Compartilhamos o DNA e fico feliz de trazer a saga para sua conclusão épica”, discursou Horn, antes de chamar ao palco Kathleen Kennedy, presidente da Lucasfilm, e J.J. Abrams, diretor do nono filme da série.

A dupla apresentou um novo trailer da produção. Ele abre com um tributo aos outros capítulos da saga criada por George Lucas, mas depois exibe diversas cenas inéditas.

As que levantaram o público no centro de convenções de Anaheim, nos arredores de Los Angeles, foram o duelo de sabre de luz entre Rey (Daisy Ridley) e Kylo Ren (Adam Driver) nos destroços da antiga Estrela da Morte, e outra com a visão da protagonista indo para o lado negro da força, portando um sabre de luz duplo e vermelho.

Com o elenco do filme quase todo em cima do palco, Abrams apresentou sua nova contratada, a atriz Keri Russell (“The Americans”). Russell explicou que sua personagem, Zorri Bliss, é “uma criminosa e velha amiga de Poe”, deixando entender que ela teve algo mais forte com Poe Dameron, personagem de Oscar Isaac. Já Billy Dee Williams, que retorna ao papel de Lando Calrissian, disse que o anti-herói nunca o deixou. “Ficou comigo por 40 anos”, disse ele.

A personagem Rey, de Star Wars
A personagem Rey, de Star Wars - David James/Divulgação

Em seguida, foi a vez da Marvel, que normalmente fecha esse tipo de evento. O lugar discreto tem razão. O presidente do estúdio, Kevin Feige, trouxe o diretor Ryan Coogler para anunciar a data de “Pantera Negra 2” para 6 de maio de 2022, além do elenco de “Eternos” —cuja novidade é a presença de Kit Harington como o Cavaleiro Negro, especialidade do ator de “Game of Thrones”, pelo visto.

Mas o único filme com cenas inéditas foi “Viúva Negra”, que mostra a personagem de Scarlett Johansson em Budapeste lutando com outra espiã russa, vivida pela atriz Florence Pugh. Depois, a heroína, de uniforme branco, invade uma prisão cercada por neve com a ajuda de Pugh e David Harbour (“Stranger Things”). O longa estreia em maio de 2020 e está em filmagem.

Para compensar o pouco tempo dedicado a Marvel e “Star Wars”, a Disney investiu nas próprias marcas. Foi o caso de “Jungle Cruise”, aventura com The Rock e Emily Blunt baseada na atração dos parques temáticos.

A dupla de protagonistas foi ao palco com direito à réplica do barco percorrendo todo o salão e o lançamento de dois trailers simultâneos, um sob o ponto de vista de The Rock e outro com o ponto de vista de Blunt.

“Malévola 2”, “Mulan” e “Cruella” fecharam as adaptações de clássicos animados em versões carne e osso. Angelina Jolie ressaltou como “ama a produção” e como “nossas diferenças nos deixam mais fortes”, antes de chamar Elle Fanning, Michelle Pfeiffer e Chiwetel Ejiofor para seu lado. 

A atriz Liu Yifei, de “Mulan” não compareceu ao evento, provavelmente por causa da controvérsia ao apoiar a polícia de Hong Kong durante os violentos protestos que ainda castigam o território. De “Cruella”, apenas a primeira imagem de Emma Stone como a vilã clássica.

A Pixar não empolgou muito com a fantasia “Dois Irmãos: Uma Jornada Fantástica”, mas a história dos elfos adolescentes que tentam trazer o pai de volta à vida por 24 horas começa a ganhar mais personalidade com novas cenas.

Quem roubou a cena foi “Soul” (“Alma”), próxima animação do diretor Pete Docter (“Up – Altas Aventuras”), que estreia em junho de 2020. O desenho é sobre um professor de música (Jamie Foxx) que tem a chance da vida para tocar em um bar de jazz, mas morre antes de completar seu sonho. Então, uma alma (Tina Fey) precisa ajudá-lo a retornar para a Terra.

“Raya e o Último Dragão” —ao lado de “Mulan”— mostra a aposta da Disney no mercado chinês. Escrita por Adele Lim e dirigida por Paul Briggs e Dean Wellins, a animação de fantasia é baseada em diversas histórias folclóricas do sudeste asiático e tem a atriz Awkwafina no papel do dragão Sisu. Um pequeno  trailer foi exibido, mas a recepção foi morna.

Quem fechou o dia com pompa foi “Frozen 2”, apresentada pela diretora Jennifer Lee (também nova chefe criativa da Walt Disney Animation) e o diretor Chris Buck.

A ideia da sequência veio da maior dúvida enfrentada pelos criadores: por que Elsa (voz de Idina Menzel) tem poderes? “Por que ela nasceu assim? Onde seus pais estavam indo quando tudo deu errado? Existe mesmo essa coisa de viveram felizes para sempre?”, questionou Buck.

Cena da nova versão de "Mulan"
Cena da nova versão de "Mulan" - Reprodução

Os cineastas revelaram que a atriz Evan Rachel Wood (“Westworld”) fará a voz da Rainha Iduna, mãe de Elsa e Anna (Kristen Bell). Ela aparece em uma cena de flashback cantando para as filhas, ainda pequenas. “Temos a mania de matar os pais”, brincou Buck sobre os desenhos Disney. “Dessa vez, vamos trazê-los de volta.”

Após anunciar o ator Sterling K. Brown (“This is Us”) como o Tenente Mattias, o estúdio exibiu um novo número musical escrito por Kristen Anderson-Lopez e Bobby Lopez e cantado por Menzel. Coroando a apresentação, o elenco subiu ao palco para cantar outra canção ao vivo.

Tópicos relacionados

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.