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Cinema

Animação sobre cachorros da rainha exibe caricatura boçal de Trump

Com história previsível, 'Corgi: Top Dog' não consegue ir além do entretenimento

Bruno Molinero

Corgi: Top Dog

  • Produção Bélgica, 2019
  • Direção Vincent Kesteloot e Ben Stassen

Existem filmes de animação que de alguma maneira se destacam na história do cinema —por sua inovação, por usar alguma técnica nova, por trazer diferentes camadas à narrativa ou por qualquer outro motivo. Geralmente são animações que fazem muito adulto se perguntar: mas isso é mesmo um filme para crianças?

Do outro lado estão os longas que são puro entretenimento. Aqueles que não trazem nada de novo e que podem até arrancar uma risada ou outra, mas logo vão parar na Sessão da Tarde e depois desaparecem da memória como se nunca tivessem existido.

Esse último é o caso do novo "Corgi: Top Dog", que estreia no Brasil nesta quinta-feira (5).

O filme é baseado na vida dos cachorros da rainha Elizabeth 2ª, que vivem no bem-bom da monarquia, rodeados de mordomos e outras regalias. E aqui abro um parêntese meio Animal Planet, meio History Channel.

Na vida real, a rainha realmente é dona dos cachorros e é conhecida por ser apaixonada por uma raça específica: o welsh corgi pembroke, que mais parece uma raposa baixinha e de pernas curtas. Elizabeth ganhou o primeiro corgi de seu pai, o rei George 6º, ainda nos anos 1930. Depois, não parou mais de criar a raça —até que, no ano passado, morreu o último exemplar. De acordo com o jornal The Guardian, a rainha declarou que pararia de ter corgis para não deixá-los órfãos após a sua morte.

Os cachorros ficaram tão conhecidos que apareceram em diferentes produções, como a série "The Crown" e o longa "A Rainha". "Corgi: Top Dog" vem se somar a elas.

Na animação, o cachorro preferido da rainha é passado para trás pelo melhor amigo, um dos outros corgis reais. Isso faz com que o herói de quatro patas deixe o palácio e vá parar em um abrigo de animais abandonados. Lá, descobre que um cachorro valentão organiza um clube da luta durante as madrugadas, fazendo a pancadaria rolar solta.

E por quem o nosso nobre peludo protagonista resolve se apaixonar? É claro que pela namorada do pit boy de dentes afiados, que mais parece uma mistura de pitbull com búfalo selvagem.

O roteiro transborda clichês, a solução dos conflitos é mambembe e mesmo as piadas políticas, apesar de provocarem algum riso, parecem frouxas. 

É o caso da caricatura feita de Donald Trump, que surge como um boçal que só quer tirar selfies. Ou do príncipe Philip, retratado como alguém que não gosta dos corgis.

Forçado, "Corgi: Top Dog" pode até entreter por uma hora e meia. Mas não consegue ir além disso.

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