Descrição de chapéu The New York Times

Eddie Murphy trabalha em continuação de 'Um Príncipe em Nova York'

Comediante vai voltar a fazer espetáculos de stand-up e quer retomar glória dos anos 1980

Jason Zinoman
Toronto | The New York Times

No meio da filmagem da cinebiografia “Meu Nome é Dolemite”, Eddie Murphy abandonou o roteiro.

Interpretando Rudy Ray Moore em um show ao vivo, ele perguntou a um membro da audiência de onde vinha. O homem, um figurante, improvisou: “Da casa da sua mãe!”

Todo mundo que estava no estúdio caiu de rir, e o ator, sem sair do personagem, disparou insultos. O que viram era algo ausente da cultura popular há mais de três décadas: Eddie Murphy a fazer humor em uma apresentação de stand-up. 

Ao longo dos anos, ele provocou sobre uma possível volta, mas agora parece falar sério. Assinou contrato com a Netflix para lançar um especial no ano que vem e tem uma turnê com apresentações em teatros.

“Não queria voltar sem preâmbulo. Queria um filme engraçado para lembrar às pessoas de que elas costumavam gostar de mim.”

O retorno ao stand-up será parte de uma retomada mais ampla da década que fez de Murphy um astro. Em dezembro, ele apresentará o “Saturday Night Live” pela primeira vez desde 1984. E está trabalhando em uma continuação de seu sucesso “Um Príncipe em Nova York” (1988), passada 30 anos depois do original, com os mesmos personagens. 

É difícil exagerar quanto ao impacto que Murphy teve na década de 1980. Usando roupas de couro, ele se tornou o comediante de stand-up mais influente de sua geração. Além de ser candidato à posição de membro mais influente do elenco na história de “Saturday Night Live” e de ter injetado alguma consciência racial em um programa que sentia falta disso, sua presença dinâmica evitou que o programa fosse cancelado, depois da saída de seus astros originais.

Enquanto isso ele foi se transformando em um dos maiores astros do cinema, graças a comédias de imenso sucesso —“48 Horas”, “Trocando as Bolas”, “Um Tira da Pesada”.

Murphy descreve o que ele é hoje como uma pessoa diferente daquilo que foi, mas passar uma hora em sua companhia indica que nem tanto. Ele continua a ser deslumbrantemente rápido no humor, e é um imitador engenhoso, capaz de pôr um grande elenco em ação em questão de segundos. Com a fala mansa e seu jeito tranquilo, ele pode parecer distanciado, mas basta que comece a fazer um personagem, o que é bem frequente, e sua velocidade e volume crescem.

Como fica claro no seu desempenho em “Meu Nome É Dolemite”, Murphy continua a ter todo o carisma de um astro. Mas há uma nova ternura e uma vulnerabilidade nesse papel, que também ficam visíveis em sua pessoa. Perguntado sobre as mudanças em seu senso de humor, ele reconheceu que está mais sentimental do que costumava ser.

“Tenho toda uma vida de experiências a aproveitar, agora. Houve época em que eu era o centro de tudo, o que eu fazia era o centro de tudo, e eu era engraçado e popular”, ele disse. “Agora não estou mais no centro, meus filhos estão, e tudo gira em torno deles”.

Perguntado se ele de vez em quando perde um pouco a confiança, ao pensar em voltar aos palcos, Murphy busca contato visual direto, dizendo que continua tão confiante quanto no passado.

“Continuo a ser Eddie”, diz. “A maneira pela qual vejo as coisas e pinto quadros com as minhas palavras... ainda sou o mesmo cara. Vou ser o que sempre fui. E um pouco mais.”

Tradução de Paulo Migliacci

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