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Artes Cênicas

Elenco gigante de crianças faz a diferença em 'Escola do Rock'

Elas são 42 dos 63 atores que atuam na adaptação para os palcos do filme de 2003, dirigido por Richard Linklater

Teté Ribeiro

Escola do Rock - O Musical

  • Quando Qui. e sex., às 20h30. Sáb. e dom., às 15h e 18h30. Até 15/12
  • Onde Teatro Santander - av. Pres. Juscelino Kubitschek, 2.041, tel. (11) 4003-1212
  • Preço De R$ 75 a R$ 310, no site sympla.com.br

As crianças do musical “Escola do Rock” se revezam em três elencos, que se apresentam em noites alternadas. São quase três horas de espetáculo, e elas tocam de verdade seus instrumentos, assim como cantam e atuam. 

A autonomia dos intérpretes mirins está no coração tanto da história que a peça conta quanto no tanto que a plateia se diverte assistindo a ela. Meninas e meninos vão com seus pais e parecem querer participar do show.

O texto é baseado no filme “Escola de Rock”, dirigido por Richard Linklater —“Boyhood”, “Antes do Amanhecer”— em 2003 e com  Jack Black no papel principal. Em 2015, virou musical na Broadway, escrito por Julian Fellowes, de “Assassinato em Gosford Park” e “Downton Abbey”, com músicas de Andrew Lloyd Webber, de “Jesus Cristo Superstar” e “O Fantasma da Ópera”.

E chega ao Brasil agora numa versão brasileira fiel à da Broadway, como tem acontecido com outros musicais, que fazem quase uma franquia de seus espetáculos. 

Se por um lado isso garante uma qualidade mínima à peça, assim como a sua autenticidade, por outro complica a vida dos tradutores, que se veem lidando com expressões em inglês que não fazem muito sentido quando ditas em português.

Uma delas é quase o lema da trama, “Stick It to the Man”, traduzido em “Escola do Rock” como “Manda se Ferrar”. O espírito é esse mesmo, mas seria mais fiel algo como “esfrega na cara”. 

O problema dessa expressão é o “the man” —o homem—, usado em inglês como um termo genérico para os homens do poder, as autoridades, o establishment. Essa montagem até tenta introduzir “o homem” como gíria, mas não cola, fica solto e soa esquisito.

Na história, um desempregado aspirante a músico chamado Dewey Finn decide se passar por seu melhor amigo, Ned Schneebly, numa escola conservadora e cheia de regras para a qual Ned foi contratado como professor substituto. Dewey não tem a menor intenção de ensinar nada a ninguém, só está interessado no dinheiro para pagar o aluguel. Mas, no colégio, descobre que as crianças têm aulas de música desde cedo, sabem tocar bem os instrumentos e têm muito talento.

Apaixonado por rock, decide montar uma banda com os alunos e participar de um campeonato de grupos com o qual ele sonha, a Batalha das Bandas. Acaba se transformando numa influência positiva para os garotos que, pela primeira vez na vida, têm independência e segurança para mostrar o que podem fazer.

Claro que as crianças roubam a cena nesse espetáculo, pois são a mensagem da peça —a de que meninos e meninas podem surpreender quando são levados a sério e tratados com respeito. 

O elenco mirim é talentoso e bem treinado, especialmente os quatro que tocam guitarra, baixo, bateria e teclado. Com Dewey alternando os vocais com uma garota da turma, que canta muito bem, além de outras duas nos vocais de apoio, o professor envolve todos os alunos no projeto, que também tem figurinista, empresária, iluminador e segurança.

O grupo dos garotos e garotas toca o que seriam composições próprias, na verdade músicas de Lloyd Weber compostas para a peça. Na versão brasileira, elas são traduzidas para o português. 

Na trilha, aparecem trechos de clássicos do rock que o dublê de professor comenta durante as aulas e os ensaios, nas versões originais.

O fim da história é um grande show no qual a Escola do Rock, nome da banda formada pelos alunos, toca os seus hits. Tem que gostar mesmo de rock para apreciar o musical, porque a trilha é pesada e presente o tempo todo, com uma banda de adultos que toca ao vivo no fosso do teatro. 

Para a geração de filhos de pais que cresceram ouvindo rock, é uma festa.
 

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