Elza Soares e Martinho da Vila divertem público da Bienal do Livro, no Rio

'Eu falo sem parar, combato mesmo, sou faladeira', disse a cantora a um público de cerca de 250 pessoas

Ivan Finotti
Rio de Janeiro

 Elza Soares, Martinho da Vila e Zeca Camargo divertiram o público da Bienal do Livro, no Rio de Janeiro, na noite de quarta (4), em uma mesa no espaço Café Literário. Cerca de 250 pessoas lotaram o evento, e muito fã ficou de fora.

“Elza” (R$ 54,90, 400 págs., ed. LeYa), biografia da cantora escrita pelo jornalista e apresentador, foi lançada em novembro do ano passado. Já o sambista lançou há três meses “2018 – Crônicas de um Ano Atípico” (R$ 46,90, 204 págs., ed. Kapulana), com relatos e pensatas sobre o ano passado.

Martinho disse que não é de falar muito, não. “Minha preocupação maior é a arte, é criar, não combater. Não dá para assobiar e chupar cana ao mesmo tempo”, disse.

“Eu chupei muito cana”, engatou Elza, ganhando o público. “E eu falo sem parar, combato mesmo. Sou faladeira.”

O público pôde fazer perguntas e alguém perguntou a ela do que ela se lembrava a respeito de Água Santa, bairro da zona norte do Rio onde ela foi criada. “Lembro de tudo. Lembro da lata d’água na cabeça, de subir o morro com ela, no sol quente. Lembro com orgulho.”

Para Martinho, a recordação querida veio do futebol: “Lembro de entrar no time juvenil do Boca do Mato. Me senti muito importante”.

Zeca mediou o debate, mas não se furtou a revelar curiosidades de como foi fazer a biografia da artista. “Elza tinha tudo para dar errado. Mulher, negra e cantora naquela época, sofreu todos os preconceitos. Cantava escondida dos pais. E não esqueceu de nada”, disse o jornalista.

“Depois que entreguei o livro, eu acordava em alguns dias e ela tinha me mandado um áudio de sete minutos contando uma história que tinha se lembrado durante a noite. Tinha que avisar a editora que ia começar um novo capítulo. Mas sempre valia a pena”, finalizou.

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