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Festival do Rio anuncia risco de cancelar edição deste ano em apelo em rede social

Evento é um dos que sofreram com cortes de patrocínio nos últimos tempos, como Anima Mundi e Indie Festival

São Paulo

O Festival do Rio anunciou na noite desta quinta (12) que, por causa da falta de recursos, pode cancelar sua edição deste ano, prevista para 7 a 17 de novembro.

Em sua página oficial do Facebook, a organização pediu ajuda de empresas e parceiros para tornar sua realização viável. "Decidimos tornar pública e oficial esta realidade, pois dentro de poucos dias, chegará o momento de bater o martelo caso não tenhamos os recursos necessários para a realização, ainda que em formato compacto", afirma. Conclui com "este é um apelo final!".

Nos comentários e compartilhamentos da publicação, centenas de pessoas se compadeciam com a situação do festival e pediam à organização a realização de um crowdfunding.

À frente do Festival do Rio desde a sua criação, há 20 anos, Ilda Santiago explica que a postagem foi uma espécie de prestação de contas com o público em relação às dificuldades financeiras que o festival enfrenta. "Não poderíamos cancelar sem antes falar que isso estava acontecendo e tentar reverter essa situação", diz.

Apesar de não descartar uma vaquinha online, Santiago avalia que ela não resolveria o problema do festival. Ela afirma que o custo de produção do evento gira em torno de R$ 4,5 milhões, dos quais eles só tem, até agora, R$ 500 mil, captados via Lei Rouanet.

Para reduzir custos, a ideia é apresentar uma programação "compacta", com no máximo 150 filmes —no ano passado, foram 200 títulos, quantidade já minguada em relação aos 250 de 2016 e 2017.

Santiago adianta que a redução maior deve ser no número de filmes estrangeiros, já que a prioridade é não penalizar a Première Brasil, mostra dedicada à produção nacional.

O Festival do Rio passa por dificuldades financeiras ao menos desde 2017, quando perdeu o apoio da Prefeitura do Rio de Janeiro. No ano passado, adiou o festival, tradicionalmente realizado em setembro, para novembro.

Fotografia publicada pela página oficial do Festival do Rio no Facebook
Fotografia publicada pela página oficial do Festival do Rio no Facebook - Reprodução/Facebook

O Festival do Rio também é um dos muitos festivais que sofreram com os cortes de patrocínio de projetos culturais anunciados pela Petrobras em abril deste ano. No ano passado, a estatal foi responsável por cerca de um terço, ou R$ 750 mil, do total de aproximadamente R$ 2,38 milhões que o evento conseguiu captar por meio da Rouanet.

Concorrendo pelo título de maior festival de cinema do Brasil com a Mostra de Cinema de São Paulo, que este ano acontece entre 17 e 30 de outubro, o Festival do Rio não é o único a enfrentar problemas financeiros hoje.

Em maio deste ano, o Anima Mundi organizou uma vaquinha virtual para pagar os custos da realização de sua 27ª edição. Não se sabia se conseguiria colocá-la de pé até as horas finais do crowdfunding, quando conseguiu superar a meta de R$ 400 mil em cerca de R$ 30 mil.

Já o Indie Festival, que há 12 anos trazia obras de diretores independentes ao Cinesesc, adiou indefinidamente sua edição em São Paulo deste ano, marcada para 18 a 25 de setembro. Segundo o Sesc, o motivo é a necessidade de outros patrocinadores para o evento além deles próprios.

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