Grupo israelense Koolulam faz cantoria coletiva em prol de causas sociais

Iniciativa 'social-musical' vem ao Brasil e faz apresentação em São Paulo, no dia 1º/12

Daniela Kresch
Tel Aviv

Em meados de 2016, o diretor, roteirista e empreendedor social israelense Or Taicher, teve uma epifania.

Ele assistiu a um vídeo que havia viralizado na internet, mostrando milhares de fiéis entoando orações em uníssono em frente ao Muro das Lamentações, em Jerusalém, e imaginou como seria incrível unir milhares de pessoas para cantar músicas populares, vivenciando uma sensação de harmonia musical e espiritual. 

A ideia se transformou no grupo Koolulam, que Or e outros dois cofundadores definem como “uma iniciativa social-musical para fortalecer o tecido da sociedade”. Cerca de dois anos depois, os eventos do grupo, sempre lotados, se tornaram tão famosos que os três criadores se dedicam só a isso, sendo inundados diariamente por pedidos de pessoas, empresas, ONGs e até mesmo de governos para recriar as cantorias em grupo.

O coletivo agora se prepara para se apresentar ao público brasileiro naquele que será o seu primeiro espetáculo na América Latina. Será no dia 1º de dezembro, em São Paulo.

Cada apresentação gira em torno de apenas uma canção, escolhida a dedo para representar algum tipo de causa social. Pode ser apenas o bom e velho “paz e amor” ou algo mais específico, como a inclusão de deficientes ou apoio a sobreviventes do Holocausto. 

“Estamos mais entusiasmados em aprender dos brasileiros do que ensinar algo”, afirma à Folha um dos três cofundadores, Ben Yaffet, 27. 

O show no Brasil foi iniciativa das produtoras musicais Luisa Calderon e Jussara Gontow. Mas há negociações para apresentações em outros países latino-americanos. 

O Koolulam já realizou cantoria em massa para 3 mil judeus e muçulmanos em Haifa, no norte de Israel, com a música “One Day”, em nome da coexistência na cidade. Também reuniu cristãos, judeus e muçulmanos para entoar “One Love”, de Bob Marley, em frente às muralhas da Cidade Velha de Jerusalém.

Já fez uma cantoria com 2 mil mulheres com a música “Titanium” e reuniu 600 sobreviventes do Holocausto apresentando, com seus filhos, netos e bisnetos, “Vivo”, de Ofra Haza. 

A música escolhida, que recebe arranjo renovado, é revelada pouco antes de cada apresentação. Nos eventos no exterior, a canção é em inglês (ou quem sabe português, no caso do Brasil). Em Israel, é em hebraico. O público que chega recebe a letra, mas em papéis com cores diversas e diferentes partes sublinhadas.

Durante a apresentação, a música é ensaiada por 45 minutos, com todas as nuances do novo arranjo. No final da cantoria, um vídeo é produzido. 

“Como maestro, sinto que podemos nos unir por meio de nossas vozes e influenciar a sociedade”, diz Ben Yaffet. “Nos encontros, colocamos os rótulos de lado e nos concentramos em uma missão: produzir uma obra de arte juntos.” 

Muitos presentes descrevem uma espécie de elevação espiritual ao participar do evento. A psicoterapeuta brasileira Elaine Starec Berger, 51, levou a família para ver o Koolulam em Tel Aviv, em março. 

“A ideia é a de que, por meio de música, podemos superar as diferenças. Eu senti isso, essa sensação de ser uma voz entre milhares, independentemente de ideologia, religião ou política”, conta Berger.

Para Michal Shahaf, 34, a terceira fundadora do coletivo, esse sentimento de união é a base do grupo. “Acho que o Koolulam é especial porque ele dá às pessoas uma oportunidade de ser parte de algo que é maior do que elas mesmas.” 

Foi Michal, que lida com patrocinadores, crowfunding e organização de projetos, que criou o nome Koolulam, uma mistura de “kol” (“voz”, em hebraico) e “kulam’ (“todos”). Também reflete o som feito por multidões em eventos sociais em países do mundo árabe-muçulmano (“kululu”). 

A vontade de mudança é clara entre os fundadores, que convivem desde que nasceram com as agruras do conflito palestino-israelense. Mas se dizem apolíticos. “Somos israelenses, mas não lidamos com política. Não emitimos posição porque isso é contrário à ideia de união”, diz Ben Yaffet. 

Mas é difícil deixar a política de lado na era das redes sociais. Os vídeos vira is chegam a partes do mundo que os criadores não imaginavam. Eles já foram abordados até por pessoas de países que não têm relações diplomáticas com Israel.

“Fomos procurados por um professor da Arábia Saudita que quer nossa ajuda para ensinar seus alunos. Também fomos sondados por estudantes de Abu Dhabi para um evento”, conta Michal.

O Koolulam já recebeu prêmios, como o Asia Game Changer Award, por sua contribuição social. Os próximos passos são a realização de oficinas em escolas, hospitais e prisões.

Para os céticos, Ben Yaffet manda uma mensagem: “Que os cínicos venham a um evento nosso. Quando você faz as coisas com autenticidade, acaba com o cinismo. É como um efeito borboleta, mas com uma nuvem de borboletas”.

 

KOOLULAM NO BRASIL

  • Quando Dia 1º/12, das 16h30 às 18h30
  • Onde Pq. Estaiada, av. Ulysses Reis de Mattos, 230, Morumbi (tel. 3042-4673)
  • Link: koolulamsp.eventbrite.com.br
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