Hector Costita visita repertório cinquentenário e mira os jovens em show

Saxofonista, que já trabalhou com nomes como Tom Jobim e João Gilberto, se apresenta em São Paulo

São Paulo

Hector Costita é um dos arquitetos de importantes faces da música brasileira. O saxofonista foi figura fundamental na consolidação do samba jazz, essa mistura de música brasileira e americana que estourou no começo da década de 1960. E dividiu palcos e estúdios com grande nomes da bossa nova, moldando o cartão de visitas sonoro do Brasil para o mundo.

Aos 84 anos, Costita é praticamente um “ex-argentino”. Quando se mudou para o Brasil, há 60 anos, já carregava no currículo sua passagem como saxofonista na orquestra de Lalo Schifrin, em Buenos Aires. Aqui, passou a figurar nos discos da vanguarda musical do país. Tocou com João Gilberto, Elis Regina, Zimbo Trio, Hermeto Paschoal e tantos outros.

Sua carreira solo tem menos de uma dezena de álbuns. Dois deles lançado só fora do Brasil. Em dois shows neste final de semana, no Sesc 24 de Maio, ele visita o repertório de todos, desde sua estreia fonográfica em 1962, “O Fabuloso Hector”. “Eu odeio esse título”, diz o músico, rindo. “É muito pretensioso!”

No palco, ele traz Douglas de Andrade na bateria, Gustavo Sato no contrabaixo e Joseval Paes no violão, com quem toca há 26 anos. Como convidados, a cantora Leila Pinheiro e o músico Nelson Faria.
Costita acredita que, mais uma vez, muito jovens devem comparecer. “Para muitos garotos, é clara a necessidade de retomar contato com uma música de mais profundidade, feita com cuidado artístico, que tenha poesia. Sinto isso na plateia.”

E plateia não falta para Costita. No primeiro semestre, ele viajou pela Europa e fez cerca de 60 apresentações, no ritmo de quase um show por dia. A aproximação dos jovens é muito natural para ele, que lecionou por 13 anos no Conservatório de Tatuí e ainda hoje dá aulas particulares.

Ele diz que gostaria de ter gravado mais. Reconhece que são poucos os títulos em sua discografia própria, onde se destaca “Impacto”, de 1964.

“Tudo que acontece na vida acontece na hora certa. Em cada caso, era o momento de fazer aquele disco. Sempre gravei meus discos por convite de outras pessoas, não vou atrás das coisas como deveria, não tenho em mim esse lado mercadológico da música.”

No entanto, o acesso à obra de Costita, incluindo material inédito, deve ser facilitado a partir do ano que vem. Heron Coelho, que é biógrafo do saxofonista e diretor artístico dos shows dele no Sesc, prepara o lançamento do Acervo Hector Costita. Na internet, o público terá muito material para relembrar ou conhecer.

Pesquisar os trabalhos de Costita é mexer com discos antológicos, como o álbum “Você Ainda Não Ouviu Nada!”, de 1964, de Sergio Mendes e Bossa Rio. No estúdio, um sexteto matador: Sergio Mendes no piano, Tião Neto no baixo, Edison Machado na bateria e um trio de metais estelar, com Costita, Raul de Souza e Edson Maciel. Nos arranjos, Tom Jobim, que participou das gravações.

Costita conta que, na gravação de “Ela É Carioca”, Raul de Souza improvisou uma frase no trombone, completamente fora do arranjo. E ele reagiu.

“Toquei a frase de volta, meio tom abaixo. E continuamos gravando, com o Jobim no estúdio. Depois, eu e Raul fomos pedir desculpas. A reação dele foi incrível. ‘Ficou do caralho! Vamos deixar assim!”

Hector Costita

  • Quando Sáb. (14), às 21h, e dom. (15), às 18h
  • Onde Sesc 24 de Maio, r. Vinte e Quatro de Maio, 109, República
  • Preço De R$ 12 a R$ 40
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