Investigação séria é jogo lúdico para detetive amadora de Agatha Christie

Personagem favorita da autora, Miss Marple protagoniza 'Mistério no Caribe', novo volume da Coleção Folha

Thales de Menezes
São Paulo

A primeira metade da década de 1960 foi um período no qual Agatha Christie dedicou atenções à sua personagem favorita, a detetive amadora Miss Marple.

Entre 1962 e 1965, ela escreveu e publicou três romances com a veterana investigadora de crimes: “A Maldição do Espelho” (1962), “Mistério no Caribe” (1964) e “O Caso do Hotel Bertram” (1965).

Os atores Julia McKenzie e Antony Sher em cena do episódio da série de 'Agatha Christie's Marple' dedicado a 'Mistério no Caribe'
Os atores Julia McKenzie e Antony Sher em cena do episódio da série de 'Agatha Christie's Marple' dedicado a 'Mistério no Caribe' - Divulgação

O volume número 17 da Coleção Folha O Melhor de Agatha Christie chega às bancas neste domingo (15) para comprovar que “Mistério no Caribe” é o mais atraente deles.

Há dois elementos recorrentes na autora, cuja bibliografia traz recursos de narrativa que ela utiliza várias vezes.

Primeiro, a vontade de situar a trama fora do Reino Unido, em cenários “exóticos”. Hercule Poirot, seu detetive mais famoso, rodou o mundo.

Segundo, o azar que persegue seus personagens quando decidem tirar férias. Há uma dúzia de obras da escritora nas quais seus detetives interrompem dias de descanso depois de algum assassinato acontecer por perto.

Aqui, Miss Marple ganha uma viagem de seu sobrinho. No resort Golden Palm, numa ilha caribenha, ela relaxa e encontra pessoas interessantes, como o major Palgrave, legítimo cidadão do mundo.

A tranquilidade da detetive termina quando Palgrave é encontrado morto em seu quarto. Miss Marple crê que o militar foi envenenado.

Mais do que descobrir o assassino, ela quer saber os seus motivos. Sem questões de dinheiro envolvidas no enredo, Miss Marple desconfia que o militar possa ter sido morto por saber algo que alguém queria deixar escondido.

São 12 os suspeitos na lista da detetive, um deles a misteriosa figura chamada Señora de Caspearo, uma sul-americana que carrega algumas das melhores cenas do enredo.

Se Poirot é ranzinza, em eterno esforço para não exagerar em suas excentricidades a ponto de prejudicar suas apurações, Miss Marple é engraçada, espirituosa e trata uma investigação séria como um jogo lúdico. Em “Mistério no Caribe”, parece estar se divertindo muito com os rumos da trama. E os leitores também se divertem.

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