Parque Lage exibe trabalhos de ex-alunos famosos da sua escola de artes

Adriana Varejão, Beatriz Milhazes, Daniel Senise, Ernesto Neto, Laura Lima e Luiz Zerbini voltam à escola com obras

Ivan Finotti
Rio de Janeiro

Os bons artistas à casa tornam. Esse é o mote da exposição “Campo”, que chegou há algumas semanas ao parque Lage, no Rio de Janeiro.

São artistas que estudaram na Escola de Artes Visuais do Parque Lage e, portanto, foram definidos pela instituição. Mas mais do que isso, seus trabalhos chegaram a um patamar que hoje se pode dizer que eles também definiram a EAV.

Adriana Varejão, Beatriz Milhazes, Daniel Senise, Ernesto Neto, Laura Lima e Luiz Zerbini voltam à escola 
para apresentar um trabalho, ou mais de um, que discuta a formação que tiveram.

“Qual é a função dos artistas e da formação deles? Isso é o que nos interessa”, diz o curador, Ulisses Carrilho.

“Queremos questionar o espaço, saber se e como a EAV é relevante. Sabemos que a formação não se limita à escola, mas também aos encontros e relacionamentos que acontecem ali.”

A mostra, gratuita, acontece nas cavalariças do parque, que recebem sua terceira exposição após reforma que aconteceu no ano passado. As outras foram a versão carioca do "Queermuseu" e uma exibição de arte naïf.

Varejão é a única que não estará nas cavalariças, mas no palacete principal, pois suas obras, que incluem uma escultura, um desenho e uma pintura, remetem a trabalhos com azulejos e piscinas.

Por isso, ela foi colocada ao lado da piscina central do palacete. “É uma forma de dialogar”, diz o curador.
Milhazes fez uma instalação (rara em sua carreira) com enormes móbiles, construídos em uma escola de samba, e abre o espaço para uma dança. Senise apresenta um muro construído com tijolos a partir de uma matéria-prima incomum: convites e catálogos de exposição de arte.

Neto, um artista que também lida com olfato, traz uma espécie de saco, que viaja do teto ao chão, com 
70 kg de açafrão.

Zerbini, por sua vez, terá expostas 16 gravuras que fez para uma nova edição do livro “Macunaíma” (ed. Ubu), de Mário de Andrade —e cuja versão cinematográfica teve cenas filmadas ali mesmo no parque.

Finalmente, na capela colada às cavalariças, Laura Lima reapresenta uma obra dos anos 1990 e outra recente. A primeira consiste em uma mulher de camisola e touca dormindo no chão, dopada com um remédio para dormir. A outra, em algumas semanas, terá gatos rasgando tecidos e revelando desenhos escondidos.

A exposição “Campo” foi toda patrocinada, com verba direta, pelo escritório de advocacia Pinheiro Neto. A do Queermuseu havia sido possível devido a um crowdfunding que arrecadou cerca de R$ 1 milhão.

Já a exposição naïf foi em parte custeada pela própria escola e também por incentivos fiscais via Lei Roaunet.

“Nossa intenção é fazer exposições relevantes que tragam um público externo, que não esteja necessariamente ligado à escola”, diz o diretor-presidente da instituição, Fabio Szwarcwald.

O local possui um café com uma cozinha bem montada e, nos fins de semana, costuma receber muitos visitantes para fazer piqueniques. Pessoas interessadas em conhecer parte dos 600 mil metros quadrados de floresta que circundam o palacete também aparecem.

Campo

  • Quando Qua. a seg., das 10h às 17h. Até 20/10
  • Onde Parque Lage, r. Jardim Botânico, 414, Rio de Janeiro
  • Preço Grátis
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