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Cinema

'A Princesa de Elymia' é pioneiro, mas tem jeitão de games de outra geração

Assistir à animação paraibana é testemunhar como a criatividade enfrenta limitações orçamentárias, com resultado simpático, mas com muito a melhorar

Thales de Menezes

A Princesa de Elymia

  • Quando Estreia na quinta (10)
  • Produção Brasil, 2018
  • Direção Silvio Toledo

"A Princesa de Elymia" é o primeiro longa-metragem de animação feito na Paraíba. O pioneirismo garante o destaque da produção, mesmo que na maior parte do tempo o filme pareça antiquado, com jeitão de games de outra geração. É preciso dar um desconto no visual para ver as boas ideias na tela.

Dirigido por Silvio Toledo, que vem do cinema publicitário e já tem outros longas no currículo, o filme começou a ser feito em 2013. Concluído com equipe reduzida e orçamento baixo, tem na história original um trunfo para reivindicar atenção de um público acostumado a animações de Hollywood que custam centenas de vezes mais.

O enredo começa com uma boa sequência de perseguição e luta que envolve mulheres aladas, dragões e bruxos. Mas erra feio quem imaginar que o filme será apenas mais uma aventura de fantasia no vasto universo que engloba de "Harry Potter" a "Game of Thrones". Em alguns minutos, tudo muda.

A ação é transferida para uma favela no Rio. A menina Zoé, filha de pai nordestino que, desempregado, tem problemas para criar a menina. Além da falta de dinheiro, os confrontos entre traficantes praticamente batem à sua porta. E a garota, ainda na pré-adolescência, tem como prioridade burlar a vigilância do pai para frequentar bailes funk.

A trama vai cuidar de enviar Zoé para o reino de Elymia, onde ela vai descobrir sua ligação com o lugar e entender que tem um papel a cumprir na luta um tirano feiticeiro, Tempestança. É evidente que o roteiro lida com clichês do gênero, mas, apesar de diálogos fracos, costura bem a ação até o final.

Visualmente, o desenho é um tanto rude, duro, e não vai bem na combinação da textura gráfica dos cenários de fundo com a movimentação dos personagens. E a diferença entre as imagens nos dois ambientes da história é brutal.

Na favela, o resultado é ruim, há uma limitação de movimentos que deixa o visual com jeito de animação que tenta algo próximo do 3D e naufraga. Em compensação, no reino fantástico, elementos como dragões, fogo e explosões de luz são muito bem aproveitados. É um cenário menos "realista" do que os barracos no morro carioca, então tem facilidade para criar imagens mais oníricas e mais bonitas.

No balanço final, assistir a "A Princesa de Elymia" é testemunhar como a criatividade enfrenta limitações orçamentárias, com resultado simpático mas com muito a melhorar.
 

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