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Cinema

Adolescência feminina confrontada por bullying é tema de 'Luna'

O estreante Cris Azzi explora nuances da formação de identidade de duas garotas de origem social diferente em Belo Horizonte e discute o cyberbullying

Neusa Barbosa

Luna

  • Quando Estreia quinta (10)
  • Elenco Paulo André, Guto Borges, Eduarda Fernandes
  • Produção Brasil, 2018
  • Direção Cris Azzi

Diretor de documentários como “Sumidouro” (2017) e “O Dia do Galo” (2015), o mineiro Cris Azzi investe, em sua primeira ficção solo, “Luna”, um recorte da adolescência feminina que oferece um contraponto às superficiais histórias para essa faixa etária protagonizadas por estrelinhas como Maísa ou Larissa Manoela —cujos roteiros, invariavelmente, se esgotam na busca do sucesso e na disputa de namorados.

Com a câmera quase documental do veterano Luís Abramo, colada à pele de suas personagens, Azzi insere “Luna” na vertente de filmes adolescentes brasileiros que dirige um olhar mais profundo a uma busca de identidade existencial - como é o caso de “As Melhores Coisas do Mundo” (2010), de Laís Bodanzky, “Antes que o mundo acabe” (2009), de Ana Luiza Azevedo, e “Houve uma vez dois verões”, de Jorge Furtado” (2002).

Luana (Eduarda Fernandes) é uma estudante do ensino médio, moradora da periferia de Belo Horizonte, que se torna vítima de cyberbullying. O filme se detém no incidente devastador e volta atrás, em flashback, para contar quem é Luana —o nome “Luna” refere-se a uma identidade alternativa, usada nos chats de internet, em que ela e a amiga mais rica, Emília (Ana Clara Ligeiro), usam máscaras e disfarces. 

Num percurso naturalista, retrata-se o cotidiano destas jovens, na escola e em casa, e cujos pais, por diferentes razões, estão meio ausentes. São elas que conduzem por si mesmas as experiências que a câmera capta quase como se fosse por acaso. Seguindo um roteiro flexível, o filme foi-se reinventando com a contribuição das jovens atrizes —e a estreante Eduarda Fernandes ganhou uma merecida menção honrosa no Festival do Rio 2018. Os espectadores a veem andar, olhar e falar como se a surpreendessem vivendo, como se estivessem olhando através da janela de sua casa.

Em narrativas assim fluidas, é natural que sobrem algumas lacunas que valeriam a pena preencher um pouco mais, em nome de uma maior solidez dramatúrgica. Mas pelo menos dois tentos foram marcados pelo diretor nesta sua primeira viagem solo: os momentos afetuosos compartilhados entre Luana e sua mãe (a esplêndida atriz Lira Ribas, do premiado curta “Estado Itinerante”) e o final, catártico e libertário, contrapondo-se a outro drama recente sobre cyberbullying, “Ferrugem”, de Aly Muritiba.

Erramos: o texto foi alterado

A atriz se chama Lira Ribas, e não Ribeiro, como em versão anterior. O texto foi corrigido.

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