Morre o diretor de teatro e dança Francisco Medeiros, 71

Artista marcou sua carreira transitando por coletivos paulistanos e pelo rigor na expressão do corpo

O dramaturgo Francisco Medeiros, no prédio da Fiesp, em São Paulo - Daniel Kfouri/Folhapress
Gustavo Fioratti
São Paulo

Morreu nesta quarta (16), vítima de câncer, o diretor de teatro Francisco Alberto Azevedo Medeiros, cujo trabalho foi marcado principalmente pelo rigor que imprimia ao trabalho de interpretação de atores e dançarinos com quem trabalhava, muitas vezes tendo sido colaborador de coletivos e grupos já formados.

Ele tinha 71 anos. Ainda não há informações sobre o velório do artista. Amigos próximos informaram que ele morreu próximo à tarde de hoje e deve ser cremado nesta quinta no crematório da Vila Alpina.

No início de sua carreira, nos anos 1970, Medeiros fez colaboração com o Ballet Stagium, com a bailarina Ruth Rachou e com Maria Duschenes, duas pioneiras da dança moderna no país.

Sob essas influências, deu importância a qualidade do gesto, do movimento e da voz. Foram esses os elementos que passaram a marcar suas criações desde que ele se lançou como diretor, com “Fando e Liz”, do espanhol Fernando Arrabal, de 1972.

Medeiros passa a transitar entre dança e teatro e, em 1977, dirige “Coragem, Antes que Nos Fechem Aqui Dentro”, de Miguel Oniga, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro.

Há ao menos dois grandes sucessos em sua carreira, o primeiro deles “Artaud, o Espírito do Teatro”, de 1984, colagem de textos do francês que teve organização de José Rubens Siqueira. Por esse trabalho, recebeu um prêmio Molière.

E, em 2002, levou ao Teatro Sesc Anchieta a peça “SubUrbia”, um fenômeno de bilheteria, de Eric Bogosian. Sua história trazia todo o tédio e niilismo de um grupo de jovens americanos que viviam à base de drogas, pizzas e música pop.

Além das direções, destacou-se por ter coordenado o projeto "Maioridade de 68", que ocupou o Teatro de Arena, palco histórico da cidade de São Paulo, com uma programação voltada às artes cênicas e que se dedicou a observar os anseios, as peculiaridades e propostas de artistas da década de 1960.

Ele também dirigiu Antônio Petrin em "A Última Gravação de Krapp", de Samuel Beckett, espetáculo que estreou em 2000 e, aclamado pela crítica, por uma década voltou diversas vezes ao cartaz. 

"Esse camarada foi para mim talvez a mais forte referência do teatro em São Paulo, a ponto de em um certo momento o que eu queria mesmo era ser ele. Desde que, há uns vinte anos, o conheci na Escola Livre de teatro de Santo André, onde demos aulas juntos", escreveu o crítico e curador Kil Abreu em sua página no Facebook, entre tantas outras homenagens a Medeiros, nas redes sociais.

Para o diretor Aimar Labaki, Medeiros era "ao mesmo tempo doce e muito feroz nas ideas que defendia, sobretudo no campo da estética". 

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