Se o CSS começasse hoje, a gente não falaria da Paris Hilton, seríamos mais políticos, diz vocalista

Após hiato de cinco anos, grupo se reúne para tocar em São Paulo, em novembro

Amanda Cavalcanti
São Paulo

Em 2008, o programa humorístico “Hermes e Renato”, que ia ao ar na MTV Brasil, introduziu ao público a banda Também Sou Hype. Os membros do grupo, que vestiam roupas justas e coloridas, se apresentavam estudantes de moda e se diziam influenciados por “expressionismo alemão e Stanley Kubrick. Uma coisa super de vanguarda, moderna”.

As músicas de indie rock dançante e letras debochadas não deixavam dúvida: o Também Sou Hype era uma paródia do Cansei de Ser Sexy, banda paulista que experimentava o auge de seu sucesso, tendo dois anos antes assinado com a gravadora americana Sub Pop.

E de fato, por alguns anos, foi assim que o CSS ficou conhecido —uma banda de garotas (embora, na época, ainda contassem com Adriano Cintra na formação) jovens, excêntricas e coloridas, que cantavam com palavras e referências modernas em inglês e cujo público foi formado majoritariamente na internet.

Foi, de fato, das primeiras bandas a realizar o feito no país.

Depois de algumas mudanças de formação —com a saída de Adriano e de Iracema Trevisan— e 11 anos em atividade, a maioria deles fazendo turnês fora do Brasil, o Cansei de Ser Sexy entrou em um
hiato indefinido em 2014 após um último show na China. 

No próximo dia 15, a banda se apresentará ao vivo pela primeira vez em cinco anos no Popload Festival, que ocorre no Memorial da América Latina.

“Foi a oportunidade perfeita. A gente já estava começando a trabalhar numas demos quando o Popload fez a proposta, e acabou rolando”, afirma a vocalista Luísa Matsushita, conhecida como Lovefoxxx. Ela diz estar trabalhando num novo single para o grupo, mas um novo álbum ainda não está nos planos.

No começo do Cansei de Ser Sexy —“eu tinha um pouco de vergonha desse nome, mas hoje acho muito bom”, diz— Lovefoxxx tinha 19 anos e trabalhava fazendo estampas para a grife Triton. Foi neste emprego que ela escreveu o primeiro grande single do grupo “Let’s Make Love and Listen to Death from Above”, que chegou a figurar entre as 40 músicas mais ouvidas nas paradas do Reino Unido em 2006.

Nesta época, a banda já havia lançado duas versões de seu álbum homônimo de estreia —uma pela gravadora brasileira Trama e uma com mais canções em inglês pela Sub Pop.

“Só agora consigo perceber o tamanho das coisas”, afirma Lovefoxxx. “E foi muito legal porque chegamos a um ponto que não era mais ‘a banda brasileira, feminina’. Ficamos tanto tempo no rolê de lançar disco e fazer turnê que éramos só uma banda. Isso pra mim foi uma grande conquista.”

Nos cinco anos de hiato, os membros da banda mudaram de estilo de vida. Luiza Sá, Ana Rezende e Carolina Parra foram morar em Los Angeles e Lovefoxxx se mudou para Garopaba, no litoral sul de Santa Catarina, onde ocupava seu tempo pintando quadros e cuidando de plantas. A música só voltou à tona muito recentemente.

“O que você sente depois que faz uma música e a ouve pela primeira vez, mesmo que não esteja completamente na sua memória, é uma das melhores sensações. Sentia falta”, diz.

Ela afirma que a música do grupo continua seguindo as mesmas referências de eletro e indie rock, mas os temas se aprofundaram. 

“Os meus assuntos, por enquanto, estão mais sérios. Acho que se o CSS começasse hoje em dia a gente não ficaria falando da Paris Hilton, seríamos muito mais políticos, porque não tem como não ser. Não é só um eletro pra bater cabelo, eu não consigo mais.”

Na apresentação no Popload, no entanto, não haverá espaço para novas músicas. Sem se apresentar em São Paulo desde abril de 2011, Lovefoxxx afirma que quer agradar ao público com o show de reunião, tocando antigos hits “que a galera conhece e quer ouvir”.

Onde a banda irá depois dessa volta, porém, ainda é incerto. “O Cansei por 11 anos foi nosso único trabalho, era nossa vida. E agora todo mundo tem uma nova vida, todo mundo tem emprego, acho que vamos meio indo e enquanto estivermos felizes a gente continua. Eu tenho um monte de planta, sementes pra cuidar”, diz.
 

Popload Festival

  • Quando 15/11, a partir das 11h
  • Onde Memorial da América Latina, av. Auro Soares de Moura Andrade, 664
  • Preço R$ 580 a R$ 800

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