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Sob críticas, Hermes da Fonseca decretou estado de sítio e fechou jornais

O governo conturbado do gaúcho é tema do sétimo volume da Coleção Folha - A República Brasileira

São Paulo

Em 1914, último ano do mandato de Hermes da Fonseca, a administração do militar gaúcho ia de mal a pior. 

A Primeira Guerra Mundial havia empurrado o Brasil para uma severa crise. Fortemente afetada pelos conflitos, a Europa tinha reduzido substancialmente as importações de café e borracha, produtos centrais da economia brasileira. 

Além disso, Hermes acumulava desentendimentos com as oligarquias estaduais, com os parlamentares e até com representantes do Exército, justamente a instituição na qual ele havia se formado. 

Em abril de 1914, o presidente decretou estado de sítio, rendendo-se, mais uma vez, a uma medida autoritária. 

O governo conturbado de Hermes da Fonseca é tema do sétimo volume da Coleção Folha - A República Brasileira. Escrito pelo historiador Pietro Sant’Anna, o livro chega às bancas neste domingo, 27. 

Alegando combater o que classificou como “criminosa propaganda”, ele mandou fechar jornais, como A Noite, Última Hora e O Imparcial. 

No caso do Correio da Manhã, não bastou impedir o funcionamento da publicação. Decidiu ainda pela prisão de Edmundo Bittencourt, dono do jornal e desafeto de Hermes. 

O governo também fechou a revista satírica O Malho. Em fevereiro de 1914, poucas semanas antes da decretação do estado de sítio, o influente veículo carioca havia publicado na sua capa uma charge com um Hermes desorientado dirigindo um carro em meio a uma festa de Carnaval. 

Não era a primeira vez que o país vivia sob estado de sítio, mas Hermes chamou a atenção pelo modo abusivo com que usou o dispositivo.

Previsto para durar poucas semanas, o estado de exceção se estendeu por meses. Só foi revogado em outubro daquele ano, um mês antes de Hermes da Fonseca deixar a Presidência da República.

“Nunca se viu, em país civilizado algum do mundo, decretar estado de sítio e prorrogá-lo por mais de um semestre, na vigência completa da paz pública, unicamente porque o chefe de Estado tem medo das críticas, ou melhor, das caricaturas e das sátiras da imprensa diária”, disse, em discurso, o deputado gaúcho Pedro Moacir. 

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