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'The Good Doctor' ganha terceira temporada e segue apostando no melodrama

Para Freddie Highmore, que vive o médico protagonista, expectativa é que seriado aumente o debate sobre autismo

Leonardo Sanchez
São Paulo

Primeira série estrangeira arrematada pelo Globoplay, serviço de streaming da Globo, “The Good Doctor: O Bom Doutor” se provou um sucesso entre os brasileiros já inscritos na plataforma. Tanto que, para atrair curiosos e conquistar mais público, a emissora decidiu exibir sua primeira temporada na TV aberta.

Bem-sucedida, a cruzada do seriado pelo canal marcou, em seus quatro episódios inaugurais, média de 15 e 18 pontos de audiência em São Paulo e no Rio, respectivamente. Os números mostram aumento de 3 e 5 pontos para a faixa, em que cada ponto representa cerca de 73 mil domicílios da Grande SP e 46 mil da Grande Rio. As transmissões acontecem sempre nas noites de quinta, até dezembro.

Depois disso, o espectador que quiser marcar um retorno com o doutor Shaun Murphy, protagonista da série, precisará assinar o serviço, que já abriga a segunda temporada. Lançada em setembro nos Estados Unidos, a terceira leva de episódios deve chegar à Globoplay no início de 2020.

Em “The Good Doctor”, um jovem médico com autismo e savantismo consegue uma vaga em um hospital, a contragosto de alguns de seus diretores. A cada episódio, ele lida com novas enfermidades, provando que sua condição lhe permite ajudar os pacientes de maneira quase miraculosa.

Mesmo que o trabalho de seu ator principal, Freddie Highmore, tenha gerado elogios e uma indicação ao Globo de Ouro, o seriado não caiu exatamente no gosto da crítica —no agregador de resenhas online Metacritic, a trama tem nota 53, de um total que vai até cem.

A narrativa foi critica por ter mão pesada na hora de apresentar as mazelas de seus personagens. O primeiro episódio da terceira temporada, por exemplo, fala de amor e relacionamentos. O gancho para o tema é a chegada, ao hospital onde Murphy trabalha, de uma noiva com seu vestido branco completamente ensanguentado —mais tarde ela descobre, de mãos dadas com o marido, ter um câncer.

Mas a tendência ao melodrama parece ter cativado o público, que fez da série um sucesso de audiência aqui no Brasil e lá fora.

“Eu não acho que melodrama é necessariamente algo ruim”, diz Highmore, responsável por dar as más notícias aos pacientes do hospital San Jose St. Bonaventure. “É claro que o seriado é emotivo, lidar com tramas hospitalares sempre acabará em questões de vida e morte. Mas eu não acho que o meu personagem pode ser reduzido a essa questão.”

E de fato há mais na vida de Murphy do que a frieza dos corredores hospitalares. A segunda temporada de “The Good Doctor” introduziu um interesse amoroso para o personagem, que ganha espaço nos episódios ainda inéditos no Brasil.

“Ele [Shaun Murphy] embarca em uma jornada para encontrar o amor, ou ao menos para tentar descobrir o que é o amor para ele e como lidar com esses sentimentos”, explica Highmore. Mas o ator avisa os fãs que a evolução desse relacionamento se dará “de pouquinho em pouquinho”.

“Eu acho que é emocionante assistir a esse sentimento. Vai se manter fiel ao personagem e à sua condição, mas também será uma coisa com a qual todos vão se identificar.”

Na trama, o relacionamento amoroso precisará enfrentar os desafios impostos pelo autismo de Shaun Murphy e sua notável dificuldade em lidar com as pessoas. O transtorno, como nas temporadas anteriores, acaba sendo o grande propulsor da série e responsável também por distanciá-la de tantos dramas hospitalares já vistos na televisão.

“O seriado é um ponto de partida para que as pessoas se tornem mais cientes sobre o autismo. Mas Shaun é um personagem e jamais será capaz de representar todas as pessoas nessa situação”, pondera o ator. “Nós contamos sua visão particular, mas na esperança de conscientizar e de inspirar debates sobre o assunto.”

The Good Doctor - O Bom Doutor

  • Quando Primeira e segunda temporadas disponíveis no Globoplay. Primeira temporada exibida na Globo, às 23h40 de quinta-feira
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